20 presos são transferidos após rebelião na Central de Flagrantes

Presos se rebelam na Central de Flagrantes e tropa de choque foi acionada.
Segundo agentes, paredes ficaram quebradas e grades foram serradas.

Presos foram levados para o pátio da delegacia e passaram por vistoria (Foto: Juliana Barros/G1)
O delegado geral da Polícia Civil, James Guerra, confirmou a transferência de 20 presos que estavam detidos na Central de Flagrantes em Teresina nesta terça-feira (5) após uma rebelião que deixou parte da delegacia com a estrutura comprometida. Segundo James Guerra, os detentos serão encaminhados para o sistema prisional e outros 13 irão aguardar a abertura de vagas. O delegado não citou para quais penitenciárias os presos serão levados.

“Na há condições dos presos permaneceram aqui na Central porque foram usadas serras para retirar vergalhões da estrutura da parede e várias celas ficaram destruídas. Teremos que fazer uma reforma para recuperar o que foi destruído. Queremos transferir todos os presos, mas nesse primeiro momento conseguimos apenas 20 vagas e as demais dependem da Secretaria de Justiça”, declarou.

O delegado não confirmou os nomes dos presos que foram transferidos, mas conforme um agente de plantão, um dos detentos que foi retirado da Central de Flagrantes é apontado como responsável por articular toda a rebelião.
Familiares preocupados
Familiares dos detentos que estavam presos na Central de Flagrantes estavam bastante apreensivos e preocupados com a situação após o tumulto.  A tropa de choque da Polícia Militar foi acionada para controlar o motim e segundo agentes de plantão, os detentos chegaram a quebrar paredes e serrar algumas grades das celas. A Rua Ricardo Seabra, que passa ao lado da delegacia teve que ser interditada e no local era possível ouvir barulho de bombas e tiros.
A tia de um presos, que não quis se identificar, revelou qual seria o motivo da confusão. Segundo ela, o tumulto começou após uma medida administrativa que impediu visitas devido a tentativa de fuga ocorrida na madrugada dessa terça-feira (4).
Mãe de detentos está preocupada com situaçãodo filho  na Central de Flagrantes em Teresina (Foto: Juliano Barros/ G1)Mãe de detentos está preocupada com situação do
filho que está preso (Foto: Juliano Barros/ G1)
“Um agente que estava de plantão me contou que por volta de 23h dessa segunda-feira escutou barulho de serra e alertou aos outros policiais da tentativa de fuga. Homens do Batalhão de Rondas Ostensivas de Natureza Especial foram chamados e impediram a fuga. Como pena, eles foram impedidos de receber o café da manhã e por isso se rebelaram”, contou.
Tropa de choque é acionada para controlar ânimos na Central de Flagrantes em Teresina (Foto: Juliano Barros/ G1)
Tropa de choque é acionada para controlar ânimos
na Central de Flagrantes(Foto: Juliano Barros/ G1)
“Quando cheguei a rebelião já estava acontecendo e não me deixaram entrar para entregar o café. Também não me informaram qual era a situação deles lá dentro. Ter um filho preso nesta situação é complicado. É preciso ter coração forte para aguentar este tipo de coisa”, afirmou a vendedora.A vendedora autônoma Remédios Araújo chegou à Central de Flagrantes por volta de 7h desta terça-feira, mas foi impedida de entrar por conta da rebelião. Ela havia ido deixar o café da manhã para o filho que está preso há 12 dias.
No dia 20 de julho, policiais do Batalhão de Rondas Ostensivas de Natureza Especial (BpRone) foram acionados para fazer uma vistoria na Central de Flagrantes e localizaram três buracos feitos pelos detentos na parede de uma das celas da unidade e conseguiu evitar a fuga de pelo menos 18 presos.

Em novembro do ano passado, 21 presos fugiram da Central de Flagrantes após serrar a grade de uma janela. Uma semana antes a polícia já havia contido um tumulto feito pelos detentos que ameaçaram quebrar cadeados e fugir. O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de Carreira do Estado do Piauí (Sindepol) chegou a enviar vários ofícios às secretarias de Segurança e Justiça solicitando a transferência dos detentos e alegou que não seria competência da Polícia Civil fazer a custódia de presos.
Do G1 PI

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