A Polícia Militar de São Paulo é a que mais mata no Brasil

Candidatos ao governo de SP terão de tornar as polícias menos truculentas e mais eficientes

A polícia do estado de São Paulo é a que mais mata no Brasil. Dos 1.890 brasileiros mortos em confronto com policiais no ano de 2012, 563, ou 29%, foram mortos pela polícia paulista, de acordo com dados do 7º anuário brasileiro de segurança pública.
Em todo território americano, que conta com mais de 300 milhões de habitantes, foram 410 mortes no mesmo período, 26% a menos.
No primeiro trimestre deste ano, a letalidade policial no estado de São Paulo teve um aumento de 136% em comparação ao mesmo período de 2013. Foram 163 mortes contra 69. Na capital, a alta é de 207%.
As regiões periféricas são as que mais sofrem com o despreparo das polícias. Segundo o coordenador do movimento Periferia Ativa, Josué Augusto do Amaral, a relação ficou ainda mais insustentável depois da onda de assassinatos ocorrida no segundo semestre de 2012. Em muitos dos casos, a atuação de grupos de extermínio formados por policiais militares é investigada.
Um dos casos investigados é o de Ezequiel Nascimento Cruz. Ele estava com outros 4 colegas na periferia de Guarulhos, Região Metropolitana de São Paulo, quando homens encapuzados passaram atirando. Ezequiel e outro rapaz não resistiram. Quase 2 anos depois, a angústia da família permanece.
Outra medida considerada importante, de acordo com especialistas ouvidos pela CBN, é a criação de uma polícia de ciclo completo, uma das propostas da Pec 51. É preciso ainda melhorar o salário dos policiais, mais transparência nas corregedorias e independência das ouvidorias.
A Secretaria da Segurança Pública do Estado afirma que não compactua com o desvio de conduta e que vem atuando para melhorar a atuação policial.



Fonte CBN

Especialistas debatem os desafios do governo de SP na área de segurança pública

Segundo o vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, os resultados só virão com uma mudança brusca na legislação, como prevê a PEC 51.
Em janeiro deste ano, o governo do estado anunciou um plano de metas com bonificações aos policiais. O modelo de meritocracia prevê um bônus que pode chegar a até R$ 8 mil por ano para quem reduzir os índices de criminalidade. 
A medida foi recebida com ressalvas por especialistas. Para o advogado criminal e professor da escola de direito da Fundação Getúlio Vargas, Theo Dias, é preciso cautela para traçar com clareza os parâmetros de premiação. 
Já Sérgio Adorno, coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, acredita que o bônus provoca apenas um efeito imediato. O ideal seria investir na formação profissional dos policiais civis e militares.

Outro programa lançado pelo governo Geraldo Alckmin foi a ‘Operação Delegada estadual’, que prevê diárias extras aos PMs, oficializando o chamado bico. De acordo com o governo do estado, os policiais podem receber até R$ 1.500 a mais em um mês pelas horas extras. A ideia é aumentar o efetivo nas ruas. Para o cientista político Guaracy Mingardi, a exemplo do bônus policial, a operação delegada nada mais é do que tapar o sol com a peneira.

A diretora do Instituto Sou da Paz, Luciana Guimarães, avalia que a operação delegada é importante para situações momentâneas. Mas que o governo deveria pensar em medidas de médio e longo prazo.
Já a lei do desmanche, que regulamenta a atividade em todo o Estado, é vista com bons olhos. A questão é se, de fato, a medida vai pegar.
Com a lei, os estabelecimentos são obrigados a se credenciar no departamento estadual de trânsito e na Secretaria da Fazenda. Todas as peças dos carros devem ser identificadas e ter notas fiscais emitidas. Com a medida, o governo do Estado espera diminuir os roubos e furtos de carro e também os latrocínios.
Embora as medidas tenham seu lado positivo e negativo, não resolvem o problema da segurança pública no Estado, na avaliação do vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima. Para ele, os resultados só virão com uma mudança brusca na legislação, como prevê a PEC 51.



Fonte CBN

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