Aécio diz que crítica a jornalistas na Wikipédia é ‘autoritarismo’

Candidato do PSDB à Presidência cobrou providências de Dilma Rousseff.
Presidente ordenou que comissão interministerial investigue o episódio.

Aécio fez campanha na capital do Amazonas neste sábado (Foto: Camila Henriques/G1 AM)Aécio em evento de campanha na capital do Amazonas neste sábado (Foto: Camila Henriques/G1 AM)
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou neste sábado (9) em evento de campanha em Manaus que considera uma “demonstração de autoritarismo” a denúncia de que a rede de internet do Palácio do Planalto foi usada para alterar o perfil na Wikipédia dos jornalistas Mirian Leitão e Carlos Sardenberg.
“É um absurdo o que acontecendo no Brasil. É mais uma demonstração do autoritarismo nesse governo, que acha que tudo pode, que acha que é o dono do país e agora até da história das pessoas”, declarou. O candidato também afirmou que “está na hora” de a presidente dizer “com clareza” que providência está tomando. Na sexta-feira, Aécio havia afirmado que o Planalto “age para desmoralizar jornalistas”.

A reportagem publicada nesta sexta-feira (8) pelo jornal “O Globo” revelou que a rede de internet da Presidência da República foi usada para fazer alterações nos perfis dos jornalistas em maio de 2013. Miriam Leitão e Carlos Sardenberg são colunistas e comentaristas da TV Globo, do jornal “O Globo” e da rádio CBN.
A Wikipédia é uma enciclopédia virtual e gratuita alimentada por colaborações de usuários da internet. Qualquer pessoa pode alterar o conteúdo desses artigos. O registro de edições é armazenado na Wikipédia a partir do endereço de IP do dispositivo responsável pela mudança, que nada mais é do que um número de identificação atribuído a cada aparelho conectado à internet.
A Wikipédia é uma enciclopédia virtual e gratuita alimentada por colaborações de usuários da internet. Qualquer pessoa pode alterar o conteúdo desses artigos. O registro de edições é armazenado na Wikipédia a partir do endereço de IP do dispositivo responsável pela mudança, que nada mais é do que um número de identificação atribuído a cada aparelho conectado à internet.
“Essas denúncias mostram que dentro do Palácio do Planalto se buscou alterara a biografia de outros jornalistas e até de outras pessoas. Eu sou grande vítima também dessa ação inescrupulosa dos setores do governo”, completou Aécio, sem mencionar a que ação exatamente se referia. O candidato visitou a Galeria Espírito Santo, local onde se reúnem camelôs em Manaus.
É mais uma demonstração do autoritarismo nesse governo, que acha que tudo pode, que acha que é o dono do país e agora até da história das pessoas”
Aécio Neves
Também neste sábado,  a presidente Dilma Rousseff classificou o episódio de “absolutamente inadmissível”. Ela disse ter ordenado a criação de uma comissão interministerial de sindicância para investigar o caso. Apesar de, inicialmente a Secretaria de Comunicação Social da Presidência ter informado que seria “impossível” identificar o responsável, na avaliação de Dilma, é “possível” identificar o autor das alterações.

Repasse a estados e municípios
Durante o evento em Manaus neste sábado, Aécio também defendeu o aumento do repasse da União aos demais entes da federação do Fundo de Participação Estados e Municípios. “Temos que refundar a Federação. Os municípios não podem continuar sendo patinho feio. Não podemos mais permitir desonerações. É isso que o Brasil precisa: descentralização, mais investimentos em saúde, educação”, afirmou.
O candidato defendeu, ainda, investimentos em pesquisas para fomentar a economia regional. “Vamos criar uma grande plataforma de ciência e tecnologia para avançar o estudo do nosso bioma [Amazônia]. Se vencermos, as portas do palácio estão escancaradas para o Amazonas”, afirmou. Ele afirmou ainda ter compromisso com o desenvolvimento da Zona Franca de Manaus.

Petrobras
À noite, Aécio cumpriu agenda de campanha em Rio Branco (AC). Ele comentou a abertura de inquérito, pela Polícia Federal, para investigar se a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, omitiu informações ao depor no Congresso sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e a suspeita de que empresa de seu marido tem contratos com a estatal.

O candidato disse que não sabia as razões que levaram à abertura da investigação, mas defendeu que o trabalho da PF seja feito sem sofrer interferências. Ele criticou o que chamou de “pressão” de “ministros” do governo Dilma Rousseff sobre o Tribunal de Contas da União (TCU), que também investiga a compra da refinaria de Pasadena.

“O que não podemos aceitar é que ministros de Estado atravessem a Esplanada para poder pressionar membros de outro poder, no caso o Tribunal de Contas [da União, ligado ao Congresso], como assistimos nos últimos dias. É preciso que nós valorizemos a nossa democracia, que passa fundamentalmente pelo respeito às nossas instituições. Que cada um faça o seu trabalho”, disse.

Nesta semana, estava prevista a votação, pelos ministros do TCU, da inclusão de Graça Foster entre os suspeitos de aprovar a compra de Pasadena, que segundo o tribunal causou prejuízo de quase US$ 800 milhões à Petrobras. Se aprovado, ela poderia ter seus bens bloqueados.

O processo, porém, foi retirado de pauta pelo seu relator, ministro José Jorge, depois de intervenção do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, que usou a tribuna do TCU para dizer que a indisponibilidade dos bens de Graça Foster afetaria a imagem da Petrobras e poderia levar a prejuízos.

No final de julho, o tribunal decidiu bloquear os bens de 11 atuais e ex-executivos da estatal suspeitos de participar da decisão de compra da refinaria, em 2006. A medida visa garantir recursos para ressarcir a Petrobras, caso eles sejam condenados ao fim da investigação.
Do G1 AM e AC

Comente esta matéria

Comente esta matéria

Deixe seu comentário