Comando da Polícia Militar mantém ocorrências de atentados em Santa Catarina sob sigilo

Aldo Pinheiro D’Ávila revelou apenas número de prisões; foco das ações criminosas se volta para casas de policiais
Desde a noite de quarta-feira, 30 de agosto, quando o sargento Edson Abílio Alves foi assassinado com três tiros na cabeça, em Camboriú, até a noite desta segunda (4), já foram quase 40 ataques orquestrados contra prédios da Segurança Pública, Fóruns e casas de policiais em 16 cidades de Santa Catarina. A Secretaria de Segurança Pública confirma que a ordem tenha partido de dentro dos presídios, e anunciou a prisão 29 pessoas envolvidas nos crimes. Por outro lado, o comando da Polícia Militar não divulga detalhes das ocorrências à imprensa com o argumento de não “alimentar ações oportunistas”. Quatro pessoas morreram e um policial foi baleado desde o início dos ataques.
Ao menos três ataques no fim de semana tiveram como alvo a casa de policiais. Em nenhum caso houve feridos. O primeiro registro apurado pela reportagem foi no início da tarde de domingo, em Biguaçu, onde a casa de um policial militar foi alvejada no Morro da Bina. No início da madrugada de segunda, a casa de um policial civil no Rio Vermelho, em Florianópolis, foi alvo de disparos. A família estava no imóvel, mas ninguém ficou ferido. Horas depois, o alvo foi a residência de familiares de um policial em Camboriú. Também sem vítimas.
Já em Itajaí, a morte de um adolescente e um homem de 26 anos teria ligação com o ataque contra a sede da 2ª Companhia do 1º Batalhão da PM, no bairro São Vicente, por volta das 23h. Os suspeitos teriam sido localizados e diante da resistência acabaram morrendo durante o confronto. A informação foi divulgada por um oficial nas redes sociais. Um dia antes, no Norte da ilha, um adolescente de 16 anos morreu e um policial ficou baleado durante ocorrência. A PM não esclareceu se o caso tem ligação com os atentados. Outro envolvido nesta troca de tiros teve prisão preventiva decretada. 
Ainda no fim de semana foram registrados ataques também em Joinville, onde uma Kombi teria sido incendiada, e em Navegantes, onde o Fórum foi alvo de disparos. A sede do Deap (Departamento de Administração Prisional) sofreu dois ataques com artefato explosivo. 
Foco de ataques é diferente de anos anteriores
Em entrevista ao Grupo RIC, o secretário-adjunto de Segurança Pública, Aldo Pinheiro D’Ávila, se manifestou informando que ações de inteligência estão sendo desenvolvidas em sigilo, mas confirmou que os ataques teriam partido de dentro das prisões. “As lideranças das facções estão dentro e fora dos presídios, mas neste caso (onda atual de ataques) as ordens partiram de dentro”, esclarece.
D’Ávilla informou que a Segurança Pública já esperava a onda de violência desde a morte do policial militar em Camboriú. “Havia indícios de que essa situação poderia se agravar, como ocorreu. A partir desse caso que as ações foram intensificadas”, declarou. Desde então, conforme o secretário-adjunto, a Polícia Civil, Militar, IGP (Instituto Geral de Perícias) e Corpo de Bombeiros trabalham em conjunto “sob a coordenação direta do secretário César Grubba”.
Por fim, o secretário confirmou que o perfil dos ataques são diferentes dos anos anteriores, que atingiram os serviços públicos, como o transporte. Ainda segundo D’Ávila, o foco dos últimos atentados são órgãos do governo e efetivos do Estado. A justificativa é de que o número de prisões no combate ao narcotráfico chegaram a cinco mil este ano.
PM restringe acesso a ocorrências
As informações sobre os ataques em Santa Catarina desde a última quinta-feira estão concentradas no CCS (Centro de Comunicação Social) da Polícia Militar. No entanto, consultado, o CCS disse que não fornecerá informações sobre as datas e locais das ocorrências. Em nota, o órgão afirma que a decisão tem como base “estudos” em crises semelhantes já ocorridas no Estado. A contagem da reportagem aponta que desde o início da onda de violência foram pelo menos 37 ataques, no entanto as informações não podem ser confirmadas com o comando da PM.
Leia a nota:
“Após estudos realizados com base em crises semelhantes já ocorridas no Estado, a PMSC identificou que a divulgação de relatórios diários alimentava uma onda de ações de oportunistas, sem vínculos com facções criminosas, que cometiam delitos seduzidos pela possibilidade de terem divulgado junto à imprensa os atos de vandalismo praticados, aumentando a insegurança da população, diante disto, a corporação adotou a estratégia de não exposição de números e locais dos incidentes em relatórios diários”. 
Fonte Notícias do Dia

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