Começa júri de administrador acusado de matar agente da PRF

Márcio Scaff atropelou e matou a policial Vanessa Siffert em 2006.
Para o Ministério Público, o caso se trata de um homicídio doloso.

Depois de 8 anos, vai a júri popular nesta quarta-feira (13) em Belém, o administrador Márcio Scaff. O reú atropelou a policial rodoviária federal Vanessa Siffert depois de ter furado o bloqueio da PRF no km 10 da BR-316 em Ananindeua, na região metropolitana de Belém. O caso não será julgado de acordo com as leis de trânsito e sim de acordo com o código penal, por ser considerado um crime doloso, quando a pessoa assume o risco de matar. O julgamento, marcado para iniciar às 9h, começou com mais de 40 minutos de atraso.
O acidente ocorreu na noite do dia 16 de outubro de 2006, próximo a um posto da PRF. Segundo o Ministério Público Federal, um carro que estava em alta velocidade, dirigido por Márcio Scaff, que na época tinha 28 anos, não teria obedecido a sinalização, derrubando os cones que estavam na pista para em seguida atingir a policial. Vanessa Siffert era de Minas e estava há 3 meses no Pará como policial. Este era o sonho dela, que deixou o emprego em Portugal para ser nomeada.
Policiais rodoviários federais acompanham julgamento.  (Foto: Reprodução/TV Liberal)Policiais rodoviários federais acompanham o
julgamento. (Foto: Reprodução/TV Liberal)
“Assim que nós chegamos ele já estava algemado, sendo conduzido para o interior do posto.  E eu fui fazer a revista no interior do veículo. Localizamos uma garrafa de wisky seca e um pote de remédios com quatro cigarros de maconha”, lembra o inspetor da PRF, Idailson Martins (PRF).
A morte de Vanessa foi um trauma para a família. “O pai da Vanessa, seu Celso, faleceu em consequência da morte da filha, ele nunca conseguiu superar. Ele teve uma depressão profunda”, afirma Glauce Brabo, advogada do sindicato dos policiais.
PRF Vanessa Sifert morreu após ser atropelada na BR-316. (Foto: Divulgação/ PRF)PRF Vanessa Sifert morreu após ser atropelada
na BR-316. (Foto: Divulgação/ PRF)
O advogado de defesa do acusado trabalha na tentativa de convencer os jurados que o crime deve ser julgado de acordo com o Código de Trânsito. “Não há nenhuma prova de que ele efetivamente se embriagou para praticar o crime”, alega Oswaldo Serrão, advogado de defesa.
Para o promotor do caso, a grande discussão do júri será com relação a gravidade dos crimes cometidos no trânsito. “No Ministério Público há uma situação de dolo eventual, em que, embora não imaginando matar, se assumiu o risco de causar essa morte e isso em uma sociedade como a nossa, em que a discussão precisa ser mais detalhada, isso é muito importante. Nós vamos cada vez mais deixar claro que o trânsito não é algo que tudo vale, que eu posso fazer qualquer atividade. É necessário assumir uma responsabilidade cada vez maior e isso está demonstrado nesses autos, como um caso típico de homicídio doloso”, afirma Ubiratan Cazzeta, procurador da república.
Do G1 PA

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