Copom da PM anapolina pede socorro

Espaço mantém mesma estrutura há 12 anos, época de sua inauguração, o que compromete a qualidade do trabalho prestado à população pela polícia
Com mesma estrutura há 12 anos, Copom do Comando Militar de Anápolis é ineficiente para atender à realidade da população de aproximadamente 350 mil habitantes, segundo  Censo do IBGE, e frota veicular de 200 mil veículos, segundo dados do Detran goiano. Na época de sua inauguração, a população era de 260 mil habitantes e a frota veicular de cerca de 80 mil veículos, segundo as mesmas fontes. Hoje, tal fato ocasionou um aumento significativo no número de ocorrências e, logicamente, a qualidade do atendimento da Polícia Militar (PM) via telefone 190 ficou comprometida.

Diante do exposto, existe a necessidade urgente de adequações na estrutura física, equipamentos de informática, tanto de máquinas quanto na rede de comunicação, mobiliários e de pessoal. E isso para atender à demanda reprimida, que tem aumentado consideravelmente a cada dia em virtude do crescimento populacional e econômico, dado o aumento industrial e a posição geográfica da cidade de Anápolis.

Comandante da 37ª CIPM,  coronel Alexandre Freitas Elias  (Cel. Elias), há quatro meses no Comando da Polícia Militar de Anápolis (ele assumiu dia 17 de agosto), não nega estar enfrentando dificuldades quando o assunto é referente ao Copom de Anápolis, mas já começou a tomar providências devido ao caráter emergencial. A princípio, o coronel designou o major Vinícius para assumir a coordenação. “Estamos dando ao Copom o caráter de uma unidade, e o major Vinícius, sob a nossa orientação, está elaborando um projeto para criar condições de trabalho que os nossos policiais merecem e que a demanda de Anápolis exige. No entanto, hoje, as instalações físicas são precárias e temos muita dificuldade para atender à demanda”, declarou. Major Marcos Vinícius, ao assumir a coordenação, constatou o problema e desabafou: “Copom de Anápolis está realmente pedindo socorro.”

Veja a seguir a entrevista com o major Marcos Vinícius e com o coronel Alexandre Elias.

Diário da Manhã: O Copom está mesmo pedindo socorro?

Major Marcos Vinícius: É uma verdade! É a realidade! E esse pedido de socorro foi ouvido pela Secretaria de Segurança Pública, pelo Comando Geral e pelo comandante regional. Providências já foram tomadas. A primeira foi o coronel Elias ao designar-me para  função de chefe do Copom, função que não existia. A partir da designação, o coronel nos liberou para tomar providências emergenciais. Todas foram tomadas. O atendimento melhorou sensivelmente em relação ao que acontecia. Não é ainda o ideal. Temos a consciência de que a população merece mais. Diante disso é que estamos buscando ações e parcerias para melhorar o atendimento ao anapolino.

Diário da Manhã: O senhor falou em precariedade. E isso já melhorou?

Major Marcos Vinícius: Tínhamos companheiros que não atendiam às necessidades do Copom. Atendentes que não sabiam atender à população. Logo foram trocados. Tínhamos telefones que não funcionavam de forma correta. Buscamos o apoio da operadora. Tínhamos uma rede congestionada por pessoas que ligavam no tradicional trote, bêbados, desocupados, gente que não sabia como explicar a ocorrência. Todavia, vamos continuar trabalhando no sentido de sanar essas dificuldades e encontrar condições apropriadas para um trabalho tão importante na área de segurança pública.

Diário da Manhã: O que o senhor espera em curto espaço de tempo?

Major Marcos Vinícius: O projeto está sendo desenvolvido. Esse projeto será encaminhado ao comandante-geral da Polícia Militar. E vamos buscar os recursos para fazer essas obras, as adequações necessárias ao bom desempenho das atividades desses policiais que trabalham no Copom. Os que trabalham como telefonistas atendendo o número 190 e aos que trabalham como operadores comunicando ou repassando essas ocorrências para as viaturas em atividade operacional. Portanto, não dá para estabelecer um prazo. O processo está iniciado e vamos contar e empenhar junto ao comandante para que essas atividades do projeto surjam o mais rápido possível. No mês passado, o secretário de Segurança Pública, Joaquim Mesquita, e o coronel Edson Costa Araújo, nos visitaram. E foram levados até o Copom, para que vissem “in loco” as condições precárias de trabalho. O próprio Coronel Edson Costa Araújo nos deu orientações no sentido de desenvolver um Copom que possa atender à demanda de Anápolis e fez até sugestões. Estamos adequando essas sugestões e assim que os orçamentos estiverem prontos e todos os esboços necessários para o empreendimento também, vamos procurar o comandante-geral com a expectativa de atendimento.

Diário da Manhã: Vai haver mudança no comando?

Major Marcos Vinicíus: Anápolis é uma cidade muito importante no contexto econômico em todo o Estado de Goiás, no contexto industrial, e está a exigir investimentos na área de Segurança Pública. Tanto na Polícia Militar, na Polícia Civil, como no sistema de Execução Penal. O presídio de Anápolis está a exigir melhorias. Secretário, na sua visita, mostrou empenho da Secretaria de Segurança Pública em atender todas as demandas. Quanto a uma possível mudança no Comando Geral, eu creio que o novo comandante terá o mesmo empenho já mostrado pelo coronel Edson.

Diário da Manhã: Quais providências foram tomadas de imediato?

Major Marcos Vinícius: Nós conseguimos uma verba neste final de ano junto à Secretaria de Segurança Pública, que ficou sensibilizada diante de nossa situação demonstrada pelo comandante regional, coronel Elias, para que seja colocada uma atendente específica diante de certas ocorrências. Com isso ficaram descongestionadas as linhas de atendimento à comunidade. Então, os atendimentos que eram feitos nas viaturas, ocorrências ocasionais, foram tirados do via 190. Foram jogados no atendimento proativo. Isso ajudou a descongestionar. Mas não é o suficiente. Sabemos disso. A demanda continua, a população cresce, o índice de criminalidade também cresce. Estamos entre duas capitais: a federal e a estadual. Enfim, o que acontece? O surgimento de pessoas que nós não queremos e com isso acontece a criminalidade. Estamos empenhados em melhorar esse atendimento, buscando novas ideias e novos parceiros. Com isso buscaremos, com total empenho, conseguir uma unidade operacional que vai atender à comunidade de Anápolis. Não só nesse período, mas também daqui a cinco ou dez anos.

Diário da Manhã: Diante do exposto, o que mais o preocupa?

Major Marcos Vinícius: O que mais nos preocupa é a estrutura antiga, que já completou 12 anos. A cidade cresceu em todos os sentidos e nós não crescemos. Volto a repetir: precisamos urgentemente colocar esse sistema para acompanhar 500 mil pessoas. Isso é possível? Lógico que sim. De nossa parte, a peteca não vai cair. (DM).

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