Coronel se diz orgulhoso de ter atuado no Doi-Codi nos anos de chumbo


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Sent: Wednesday, December 14, 2011 5:52 PM
Subject:  Coronel se diz orgulhoso de ter atuado no Doi-Codi nos anos de chumbo

 

Coronel se diz orgulhoso de ter 

atuado no Doi-Codi nos anos de chumbo

Pedro Moézia conta que tipo de ação exercia nas mais de 100 operações de que participou

Publicado: 12/12/11 – 13h36
Atualizado: 12/12/11 – 15h43
Coronel da reserva Pedro Ivo Moézia de Lima, ex-integrante do Doi-Codi e autor de ação para impedir a criação da Comissão da Verdade Foto: Evandro Éboli / O Globo
Coronel da reserva Pedro Ivo Moézia de Lima, ex-integrante do Doi-Codi e autor de ação para impedir a criação da Comissão da Verdade Evandro Éboli / O Globo
BRASÍLIA – Autor da primeira ação judicial para impedir a criação da Comissão da Verdade, o coronel reformado Pedro Ivo Moézia diz que participou com muito orgulho do Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), durante o regime militar. Ele admite, sem culpa, a possibilidade de ter matado ‘alguns guerrilheiros’ em supostas trocas de tiro. O militar dá detalhes das operações em que atuou e nega que tenha participado de sessões de tortura.

O GLOBO: Por que a ação contra a criação da comissão?

CORONEL PEDRO IVO MOÉZIA: Sou a primeira voz que se levanta contra esse abuso. Que verdade é essa que vai ouvir um lado só?! Não entendo essa fúria contra nós. Quem matou civis inocentes foram esses terroristas.

O senhor pretende depor na comissão?

MOÉZIA: Nunca vou dizer nada. Vou usar do meu direito de ficar com a boca fechada. A não ser que chamem todos e os obriguem a contar tudo. Como a Dilma Rousseff, o relator da comissão e terrorista Aloysio Nunes (senador tucano que relatou o projeto). O Tarso Genro (governador do Rio Grande so Sul e ex-ministro da Justiça)…

O senhor falou que atuou numa centena de ações na ditadura. Como foram?

MOÉZIA: Eram estouro de aparelhos, prisão, tiroteios. Não ia para essas ações chupando sorvete. Tínhamos medo, tensão, via gente ferida, chorando, sofrendo do nosso lado.

O ssenhor acertou alguém?

MOÉZIA: Participei de tiroteios. Se atirei? Sim. Acertei alguém? Sim. Morreu? É possível que sim. Mas era um confronto.

O senhor participou ou assistiu tortura no Doi-Codi?

MOÉZIA: A tortura não existiu. Existia rigores de entrevista. Rigores no interrogatório. Nunca toquei a mão em ninguém. O Ustra (coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o Doi-Codi) também não.

Familiares de perseguidos políticos apontam o sr. como um torturador?

MOÉZIA: Apareço em várias listas. Mas isso não é verdade. Lista qualquer um pode fazer a que quiser. Lutei pelo meu país, pela minha pátria e cumpri minha missão.

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