Corregedor da PM diz em troca de mensagens que é preciso ‘proteger e blindar quem está na guerra’

Coronel Fernando Pimenta também exaltou batalhões de Irajá e Choque, dos quais já foi comandante.

Encarregado de chefiar o órgão que investiga maus policiais, o coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro Fernando Pimenta, corregedor-geral da corporação, afirmou numa troca de conversas em aplicativo que é preciso “proteger e blindar quem está na guerra”.
Em trecho de diálogo obtido pelo G1, o oficial afirma: “Somos irmãos de armas! Lutamos juntos! Sangramos juntos! Nossos inimigos estão lá fora! Precisamos proteger e blindar quem está na guerra e não perseguir e humilhar! Foi uma honra ombrear com os Policiais Militares do 41º BPM! O Batalhão reservado aos heróis! Fiz mais que amigos, fiz irmãos no 41 e no Choque! Solos sagrados que tive a honra de pisar! Força e Honra! Paz e Bem!”.
Como resposta, o coronel é perguntado por um pretenso subordinado se seria autorizado a repassar a mensagem. “A tropa está carente de homens feito o senhor”, elogia o interlocutor. Em seguida, o oficial responde: “Amém! À Ele toda honra e toda glória. Claro que pode, amigo!”.
Em 1º de novembro, a nomeação de Pimenta à Corregedoria da PM foi vista com apreensão por moradores da Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul. Antes de chefiar o órgão correcional, o coronel foi comandante do Choque, batalhão que até hoje ocupa a comunidade devido a uma disputa de facções criminosas. Na época, militares do batalhão foram acusados por moradores de cometerem uma série de abusos.
A Corregedoria chegou a abrir inquérito para apurar a conduta de PMs. O G1 questionou a corporação sobre resultados das investigações, mas não recebeu nenhum retorno. Também foram solicitados números referentes à atuação da Corregedoria desde que houve a troca de comando, mas, até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
Foi pedido ainda um posicionamento oficial do coronel a respeito das declarações. Por exemplo, qual foi o sentido em afirmar ser necessário “proteger e blindar” os PMs que estão na “guerra” e também se o oficial avalia o trabalho da Corregedoria como perseguição e humilhação. Também não houve retorno.

Batalhão iguala número de mortes

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, o 41º BPM (Irajá) caminha para ser, mais uma vez, a unidade que mais mata no estado. Em 2016, foram 118 mortes por intervenção policial – o antes chamado auto de resistência. Em 2017, até novembro, foram 109.
Na comparação, o batalhão praticamente igualou o número de mortes nos dois anos. Nos 11 primeiros meses de 2016, foram 110 mortes. Em 2017, até a última aferição do ISP, foram 109. Os números de mortes por policiais do Choque não é divulgado pelo instituto.
Fonte: G1

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