Delegacia de Porto Velho fecha as portas em horário de funcionamento

Policial se recusa a registrar boletim às 18h40 e alega já estar cansado.
Corregedoria diz que atendimento não pode ser negado ao público.

Delegacia de Porto Velho com portas trancadas durante expediente (Foto: Arquivo Pessoal)Às 18h40 de terça-feira, 5º DP da Polícia Civil, em Porto Velho, estava trancado (Foto: Arquivo Pessoal)
Uma delegacia de portas trancadas em pleno horário de funcionamento. Essa foi a situação encontrada pelo executivo de vendas Flávio Cardoso, ao tentar registrar um furto ocorrido em sua residência, em Porto Velho, no final da tarde de terça-feira (26). Segundo moradores de Rondônia, o problema é frequente nos postos da Polícia Civil do estado. Além disso, o mau atendimento, a ausência de delegados e outras situações de negligência têm gerado transtornos durante as tentativas de registros de ocorrências. A Corregedoria da Polícia Civil alega que há falta de servidores para atender o público.
Por volta das 18h30 de terça, após perceber que teve a casa invadida e objetos furtados, Flávio procurou o 5º DP, no Bairro Cuniã, para registrar a ocorrência. Mas, de acordo com o executivo de vendas, o único policial plantonista do local se negou a atendê-lo. O agente estava do lado de fora da delegacia, cujas portas estavam trancadas. Flávio conta que o policial disse que aguardava outro plantonista chegar às 19h para trocar o plantão e alegou estar cansado, porque havia feito 51 ocorrências e já estava com o ‘braço estourado’. O outro servidor chegou 40 minutos depois e, só então, o executivo de vendas pôde entrar na delegacia para ser atendido. Ainda segundo ele, o perito só foi à sua residência na manhã desta quarta-feira (27).

Procurada pelo G1, a Polícia Civil informou que, em situações como a de Flávio, o cidadão deve comparecer à corregedoria com o nome do plantonista ou informar o horário em que esteve na delegacia, para que o servidor seja identificado e as providências cabíveis sejam tomadas. Para a corporação, o caso do executivo de vendas é grave, visto que o policial se recusou a atendê-lo e o deixou esperando do lado de fora, com a delegacia fechada, além do perito não ter comparecido ao local do furto no mesmo dia.
Outro episódio relatado ao G1 aconteceu em junho deste ano. A secretária Maximiniana da Silva foi assaltada por um homem armado que entrou em seu carro e levou sua bolsa com todos os documentos, chaves de casa, cartões e dinheiro. Maximiniana tentou registrar ocorrência, também no 5º DP, mas o plantonista se negou a atendê-la, sob o argumento de que ela não possuía qualquer documento pessoal no momento. A secretária teve que ir em casa para pegar uma cópia da certidão de nascimento e voltar à delegacia. Desta vez, o plantonista alegou que estava sem computador e pediu que ela voltasse no dia seguinte. Quando Maximiniana voltou, um novo plantonista informou que o sistema não estava funcionando. A ocorrência só foi registrada 24 horas depois do assalto, no 3º DP, localizado no Bairro Areal.
Ao G1, a Direção Geral da Polícia Civil afirmou, por meio da assessoria de imprensa, a que toda ocorrência pode ser registrada em qualquer delegacia, mesmo que não seja próxima ao local do delito e, se algum funcionário negar o atendimento, deve ser denunciado à corregedoria.
Conforme a Corregedoria da Polícia Civil, quando o cidadão apresenta denúncias, uma sindicância é aberta e são ouvidas todas as partes. Se comprovada a negligência, os servidores são punidos com suspensão do trabalho por até 10 dias ou pode ser iniciado um processo administrativo, que pode levar à demissão do funcionário. Segundo a corregedoria, a sindicância é rápida e, se nada for constatado, há absolvição do servidor.
Horário de funcionamento
O funcionamento das delegacias, com a presença de agente plantonista, deve ocorrer dia e noite, ininterruptamente. O Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) explicou que o delegado e o escrivão de cada delegacia trabalham de 7h30 às 13h30 e, fora desses horários, só comparecem aos postos em casos de flagrantes, para encaminhamento à Central, onde há delegados e escrivães 24 horas por dia.
Do G1 RO

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