Duelo de Coronéis

Jornal Extra Alagoas
A disputa entre grupos de coronéis militares pela Caixa Beneficente dos Policiais Militares de Alagoas parece não ter fim. Interpelações judiciais para um lado, liminares para outro, a verdade é que militares de patente elevada, isto é, o topo da hierarquia militar, se digladiam para assumir o controle da Caixa Beneficente dos Policiais Militares. À parte a motivação encontrada pelos coronéis para duelarem, por enquanto um duelo verbal mas que pode ir até as vias de fato.
A corporação, isto é, o governo do Estado, ainda não se manifestou sobre o fato delituoso dos coronéis, que, beirando as raias da indignação popular, pululam com ataques de parte a parte, com características semelhantes ao duelo do OK Curral (célebre duelo no western americano). E a hierarquia militar, como fica? Que exemplo de boa conduta os coronéis dão a seus subordinados?
Sem adentrar à razão de um ou de outro, necessário é que o Estado de Alagoas dê um basta aos interesses dos coronéis, muito além dos interesses da corporação a que pertencem, que é de guardião da paz e da serenidade entre os alagoanos; paz que está longe de acontecer haja visto os índices de violência que assola Alagoas. Não é possível que graduados da Polícia Militar de Alagoas se abstenham de combater o crime, seja ele organizado ou não, para duelarem como cowboys de farda, lutando pela aplicação da lei e da ordem. Simplesmente lutam para aquinhoarem-se de bens da Caixa Beneficente dos Policiais Militares do Estado de Alagoas.
O basta que o governo do Estado deve dar, a partir da corporação, urge sob a possibilidade de outros insurretos, se espelhando nos coronéis, comecem a transformar a Polícia Militar num verdadeiro motim. Se for preciso, que se puna exemplarmente os duelistas, pois só assim a legalidade da força prevalecerá entre os corporados.
O militar tem um rígido código disciplinar. O de Alagoas foi manchado por graúdos membros que se arboram na “honestidade” interna de cada um.
Que dizer, senhores coronéis, da luta incansável do Estado de Alagoas em preservar a ordem e a paz entre seus cidadãos – reduzir o alarmante índice de criminalidade – se a patente mais alta da nossa PM vive e convive quase que permanentemente numa arena, degladiando-se? Ah, Alagoas!

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