Eu não sou santa (metal contra as nuvens)

“(…) É a verdade o que assombra. O descaso que condena. A estupidez, o que destrói.”
Por muitas vezes me questionei o que eu poderia fazer pela corporação além de simplesmente cumprir a carga horária, fazendo as rondas estabelecidas no cartão programa, mas que na prática eu vejo que não leva a nada, pois a todo instante vemos onde a criminalidade está ocorrendo, porém não podemos “sair da rota” preestabelecida, porque senão vamos levar uma “canetada”.

Será que querer fazer alguma coisa além do que me é estabelecido é insubordinação? Estou ficando chateada com toda essa situação! A gente se prepara para tirar um bom serviço, investe em material, qualificação, quer fazer alguma coisa, mas para quê se todo esse empenho e toda essa vontade em querer fazer alguma coisa nem ao menos são reconhecidos. Não temos nem a oportunidade de “mostrar serviço”.

Vale à pena “se queimar” por quer fazer as coisas, sabendo que no final (com este comando) nada irá acontecer? Vale à pena investir tempo e até mesmo dinheiro para levar algo de bom para o serviço policial que não podemos por em prática? Vale à pena, às vezes, ser punido e ficar preso por questionar as coisas que não estão indo bem? Eu estava começando a pensar que não… Acho que estava sendo “contaminada” pela influência dos antigos, para quem “devemos apenas cumprir a carga horária”, “colocar nomes inventados no cartão programa”, “cumprir o PB” e depois receber o resto do pagamento no fim do mês. Digo “resto”, porque ganhamos tão pouco que é inevitável não temos empréstimos, o que acaba comprometendo o nosso vencimento, e por consequência a nossa qualidade de vida.
Mas como eu dizia… Foi justamente nesses momentos de fraqueza que procurei respirar fundo, pensar, e pedir a Deus que não me transformasse em uma covarde, pois estava cansada de ver as coisas erradas e mesmo com uma imensa indignação ficava calada. E assim, eu orei a Deus para que me protegesse, não apenas dos “inimigos” que por ventura eu possa vir a encontrar nas ruas, mas também dos que vestem a mesma farda que eu visto, os quais eu passaria a combater. Hoje, em minhas orações, eu rogo ao Bondoso Senhor que façam meus companheiros enxergarem que estamos lutando por uma boa causa e buscando apenas a nossa dignidade através de melhores condições de serviço, respeito, salário justo, assim como que tenhamos comandantes que sejam mais propícios ao que a tropa tem a lhes dizer, isto é, que tenhamos comandantes realmente compromissados com a tropa e a causa policial.
No mais, peço ao divino que Ele toque no coração da base da nossa tropa, para que ela também entre de corpo e alma nas mobilizações e que não desistam desta guerra, porque já está provado que ela também é espiritual, porque o inimigo não para de tramar contra nós. Que a nossa luta enquanto militares que carecem da devida atenção por parte do Estado (e aí inclua-se os municípios e a União) é justa, toda a sociedade já reconheceu. Que o nosso movimento a “Revolução 256”, simbolicamente denominada “Briosa em Foco” é justo, muitos outros setores que lutam contra o autoritarismo e outras formas mais de desrespeito, assim como uma boa parcela da nossa tropa já reconheceu; e até tem contribuído conosco com algumas das informações que trazemos.
Desde o dia e que fui convidada para realizar este trabalho eu resolvi que não queria mais viver no comodismo. Eu fiz concurso para ser polícia, para combater marginal, e não para “ser peça decorativa” de sala de oficial. E olha que a minha beleza – desculpe a sinceridade – poria em algum PO mais da metade das colegas que foram “convidadas” para fazer parte de certos setores porque são “bunitas”. Eu não sou santa, sou do quadro de policiais combatentes e, como tal, componho a equipe que realiza esta página. Seria bom que pudéssemos realizar este trabalho de “cara limpa”, mas eu mesma não tenho vaidades quanto a isso, muito menos qualquer um dos componentes da nossa equipe tem.
“Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.”
As pressões que vivenciamos a cada postagem são grandes, ainda mais quando recebemos ameaças de morte, ou de outros tipos de “sorte”, mas euzinha não vou desistir, pois como eu disse “o que busco é a nossa dignidade, e o combate à corrupção”, e por isso vale à pena lutar. Eis o porquê de participar ativamente de todos os atos possíveis em busca da nossa dignidade, seja contra os atos dessa “máfia cor de rosa” instalada na cúpula da segurança do nosso Estado, seja lá contra quem for.
“Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.”

A vitória, que será fruto de lutas, está em nossas mãos. O que cada um tem que faze é perder o medo e dar a sua parcela de contribuição, não especificamente com o que temos feito aqui neste espaço, mas fazendo ações em busca da sua dignidade, não aceitando as coisas erradas que acontecem, questionando as ordens erradas ou obscuras, tendo coragem para fazer a comunicação do mais antigo se preciso for, queixando-se nos órgãos competentes, tais quais a OAB, o MPE, o CONSEG, as Comissões de Direitos Humanos, ou então buscando o amparo da Justiça. Porque, meus caros, estamos em uma guerra que tem propagações tanto dentro quanto fora da nossa corporação, e (quem quer que seja) ambos os inimigos são fortes. Porém, com coragem e união poderemos vencer; conforme bem nos revela a história.

“– Tudo passa, tudo passará…
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.”

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