Gilmar não ponderou suas veredas

Gilmar José Batinga da Silva, um alagoano de 47 anos, doou os últimos anos de sua vida à ambição, fazendo por onde – a todo custo – ser promovido e chegar aonde nenhum outro praça com um histórico como o seu (alcoolatra, macetoso, dentre outras coisas) jamais chegou: ser coronel “fechado” e com possibilidades de ser, provavelmente em dezembro, o próximo Comandante da PM.
Nesse caminho de aparente sucesso, muitos foram os “desdobros” do Gilmar, que mesmo cumprindo o seu mister sempre fazia por onde tirar algum proveito, fosse financeiro ou até mesmo através de “gratuitos” e “despretensiosos” elogios, o que lhe rendeu “trocentos” pontos que lhe possibilitaram ascender na carreira de forma meteórica.
Inúmeras foram as vezes que eu vi o Batinga, após uma ação bem sucedida dos seus comandados, pedir para que a pessoa que foi atendida enviasse um oficio ao Comando da PM o elogiando “por tal feito”. Ah, meus caros, quanta lábia…
Gilmar Batinga fez tudo que podia e até o que não podia, fosse na “arte da diplomacia” ou até mesmo na “arte da tortura”, e sempre esbanjando uma “habilidade” singular, algo que lhe deu notoriedade, mas que na verdade não passava de uma capa. Esse desdobro, no entanto, o deixou fora da realidade, bem como o afastou da simpatia de muitos que o admiravam. Em termos bem práticos, podemos dizer que Batinga ficou com “o rei na barriga”.
Em meio à fama, muitas foram às ocorrências em que Gilmar se apresentou como o senhor da razão, mesmo não sendo detentor do conhecimento específico, a exemplo do sequestro em que, passando-se por repórter – e passando por cima da doutrina do gerenciamento de crises –, ele quase pôs tudo a perder. Hoje em dia, em suas entrevistas, comporta-se como se fosse o dono da verdade.
Certa ocasião eu tive a oportunidade de conhecer um sargento que confidenciou:
“Eu era mais moderno que o Batinga, e quase que não engajei porque ele tinha a mania de chegar bêbado no serviço que a gente tirava no centro da cidade, e quando ele chegava ainda ia catar papelão para dormir nas portas das lojas, porque sabia que era um cara golinha e ficava em QAP a noite toda. Porém um dia eu estava com febre e com o corpo mole, então pedi para o Gilmar ‘segurar’ um pouco sozinho porque eu não estava aguentando nem ficar em pé. Algum tempo depois eu acordei com a voz do Batinga dizendo assim para o oficial que chegou no ‘Opalão’: ‘eu falei para ele não dormir, meu chefe, mas ele não quis nem saber’. Nesse dia, quase fiz uma arte com esse cara. A sorte dele é que o oficial era um cara de bem, porque se fosse outro eu estaria fora da polícia.”
Foi a partir desse momento que os pares perceberam que o nosso personagem era uma pessoa horrível, cruel e sem sentimento. E isso ficou mais evidente ainda quando ele, por onde passou, demonstrou indiferença com os subordinados e “amor” ao dinheiro resultante do cargo. Sobre isso, os casos mais emblemáticos que podemos citar são: i) o do Extra, onde Gilmar Batinga recebeu R$ 100,00 por cada PM escalado para trabalhar nos serviços extras dentro da área do supermercado; e ii) a designação de uma Vtr composta por membros da P2 (que eram remunerados com R$ 250,00, para cada um), que fardados tiravam um serviço de 12 horas dando voltas no Shopping Iguatemi (que pagava pelo serviço em cheque, o qual era sacado por um soldado na Caixa Econômica que fica próximo à Praça dos Leões, e repassado para a “unidade”).
Com tanta ambição, até na Assembleia Legislativa Gilmar trabalhou. Mas não com o intuito de conseguir proventos, sua ideia era outra. Sua ida para a ALE foi estimulada para dar-lhe mais proximidade com os parlamentares, os mesmos que o indicaram e fizeram por onde ele comandar o CPC, bem como as suas promoções “correrem”. Em meio a isso, e querendo sempre mais, almoços com o governador foram arranjados para que o “José” expusesse suas ideias, as quais foram meticulosamente ouvidas pela autoridade máxima do Estado.
E a oposição, sempre atenta, apenas observou, tendo certas vezes tramado timidamente alguma situação de cunho político. E Gilmar, em sua lucidez, não refletiu cuidadosamente sobre o que poderia advir de suas ações no caminho de sua jornada de vida. E assim, implacável, insensível, senhor da verdade, com ares de próximo comandante, seguiu Gilmar com suas ações, punindo, dando “banguela”, inventando serviço (de confecção de relatórios) nas bases comunitárias até mesmo para os doentes (aptos com restrições), desconsiderando publicamente até mesmo os pares, etc.
A passagem rápida que Batinga percorreu entre um posto e outro contrasta com o caminho livre que hoje ele não tem. Hoje, impedido de seguir um ritmo de vida normal, aquele do homem justo, honesto, que sai à rua sem receios, que vai a praia à noite para fazer caminhadas, esse “José”, trilha por um caminho escuro, guiado (literalmente) por homens de preto, diuturnamente, porque além de ambicioso “José” também foi perverso com algumas pessoas, e essas pessoas nas sua razões, tomadas de ira, querem “devolver” a perversidão recebida, ou seja: Gilmar José Batinga da Silva é um homem ameaçado de morte e precisa de escolta para poder sair de casa!
Gilmar Batinga, sabemos que você acompanha este blog, retenha o seu coração nas minhas palavras: “guarda os mandamentos do Senhor e vive” (Provérbios 4:4). “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23). “Pondera a vereda dos teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos” (Provérbios 4:26). Saia dessa de ficar perseguindo e oprimindo a tropa, Gilmar Batinga. Veja como está a sua vida desde terça-feira, um aperreio só. Lembre-se que “seus atos, e tudo mais que você faz”, como você bem costumava dizer nas unidades por onde passou, “podem trazer reflexos para as pessoas que lhe são próximas”.

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