Juíza manda soltar homens presos por matarem PM e testemunhas terão que ser ouvidas de novo

Depois de 13 dias atrás das grades, dois homens acusados da morte do soldado da PM Samir da Silva Oliveira, da UPP São João, foram soltos no início da noite desta quinta-feira. Jamerson Gonçalves de Andrade, de 30 anos, e Lizien Francisco da Silva Alves, de 32, que haviam sido capturados juntos, estavam no presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte do Rio. Eles foram colocados em liberdade por decisão da juíza Raphaela de Almeida Silva, da 3ª Vara Criminal da capital.
Em relação a Lizien, a magistrada determinou o arquivamento do inquérito policial e relaxamento de sua prisão, já que, de acordo com o Ministério Público estadual, ele não foi reconhecido por nenhuma vítima ou testemunha como autor do homicídio. Já sobre Jamerson, a juíza determinou, por pedido da promotoria, que as testemunhas do caso sejam ouvidas novamente e o caso continue sendo investigado.
Um dos PMs que estavam com Samir durante o confronto reconheceu o rapaz como um dos criminosos que atiraram contra os policiais. No entanto, a defesa de Jamerson apresentou à Polícia Civil imagens das câmeras de segurança de um shopping e de um estacionamento na Barra da Tijuca que flagraram o rapaz no estabelecimento comercial, e depois deixando o local, pouco antes das 18h, horário em que o crime ocorreu. Ele estava no shopping acompanhado de seu chefe para instalar uma adega, serviço com o qual trabalham.
De acordo com a decisão da juíza, as testemunhas prestarão novo depoimento e o policial que apontou o acusado terá que fazer novo reconhecimento. Jamerson teve a prisão preventiva revogada e terá que cumprir medidas cautelares – comparecimento mensal em juízo e a proibição de ausentar-se do Rio.
A dupla foi presa por agentes do Méier Presente e policiais da UPP do Lins, no dia 11 deste mês, quando se deslocava, de moto, do Lins para o Méier. Lizien é mototaxista e estava transportando Jamerson, que carregava um arma de paintball, chamada de marcador. Eles foram capturados cerca de duas horas após a morte do policial militar.
Um terceiro homem, Hélio Rafael Alves de Souza, de 29 anos, também foi preso no mesmo dia pelo assasssinato do policial. Ele continua preso e foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime. Os três presos foram autuados em flagrante, no dia 11, na Delegacia de Homicídios da capital.
Jamerson e Hélio foram reconhecidos na DH como ocupantes do carro em que estavam os criminosos que atiraram contra Samir e os outros PMs.
Liberdade
Jamerson e Lizien deixaram o presídio por volta das 18h30 dessa quinta-feira. Ao deixarem a unidade, eles encontraram com os parentes e emocionaram-se.
– Todo mundo diz que o inferno é quente, mas na verdade, é frio. Todas as noites que passei aí dentro foram com muito frio, dormindo numa cama de pedra, com baratas. Participo de um grupo de paintball e estava com um jogo marcado para o Dia dos Pais. Estava com o marcador (arma do paintball) ruim e solicitei ao mototáxi (Lizien) para parar no Méier. Quando paramos no sinal, passaram três viaturas. Cerca de 10 PMs desceram e nos revistaram. Quando um deles pegou minha bolsa, viu que havia um marcador. Inclusive a ponta dele estava amarela. Fomos abordados já eram quase 20h. Dali começou nossa saga – contou Jamerson.
Lizien contou que Jamerson foi seu primeiro passageiro naquele dia.
– Eu nem estava sabendo da morte do policial, pois estava trabalhando no meu outro serviço. De repente, no meio da corrrida, os policiais enquadraram a gente. Foram dias horríveis. Sofri preconceito por ser negro e morador do Lins. Nem todo mundo que nasce na favela é traficante. Nós temos que nos esforçar muito para seguir um caminho de bem e me tornei trabalhador – disse.
O advogado Bruno Cândido, que defende Jamerson, explicou que o andamento do processo de seu cliente depende do depoimento do policial que o reconheceu.
– Conseguimos a imagem do shopping e do estacionamento onde ele aparece saindo do serviço, às 17h45, acompanhado do patrão. Como ele foi identificado pelo policial, houve a conversão para a medida cautelar – afirmou.
Já o advogado de Lizien, Joaquim Portela, afirmou que o arquivamento das acusações contra seu cliente ocorreu por falta de provas:
– O estado manteve um inocente preso por 13 dias.
O soldado da PM Samir da Silva Oliveira morreu após ser baleado na Rua 24 de maio, em frente à estação Silva Freire, no Méier, Zona Norte do Rio. O policial de 36 anos voltava para batalhão do Méier quando tentou abordar um carro. Ainda segundo a corporação, os ocupantes atiraram e o soldado foi atingido no rosto. Ele foi levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, mas não resistiu.
Procurada, a assessoria de imprensa das UPPs informou apenas que “o caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios”. Já a assessoria de imprensa da Polícia Civil disse que está avaliando a decisão judicial para se pronunciar sobre o caso.
Fonte: Extra

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