Jungmann defende mudanças na lei antidrogas e diz que presídios criam ‘exércitos’ para o crime organizado

O Ministro da Segurança Pública se reuniu nesta quarta com a presidente do Supremo, Cármen Lúcia. Após o encontro, ele pediu uma distinção na lei entre usuários e traficantes de drogas.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, defendeu nesta quinta-feira (8) mudanças na lei antidrogas, a fim de deixar mais clara a diferença entre usuários e traficantes de drogas.

Jungmann se reuniu com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, e, entre outros assuntos, disse ter tratado com a magistrada sobre o assunto.

“A lei antidrogas que nós temos faz uma distinção entre traficantes e usuários. Mas essa distinção precisa de uma quantidade que separa um do outro. Como a lei não traz essa quantidade, fica difuso, ao arbítrio de cada juiz decidir quem é usuário e quem não é”, disse Jungmann.

Ao defender mudanças na lei, o ministro disse que o Brasil “prende muito, mas prende mal” e ressaltou que os presídios brasileiros estão “cheios de quem cometeu pequenos delitos, enquanto o grande traficante a gente não consegue colocar dentro das cadeias”.

Para Jungmann, os presídios brasileiros são dominados por criminosos e, por isso, ao prender usuários de drogas e mantê-los encarcerados nesses locais, o Brasil está “entregando legiões e exércitos para o grande crime organizado”.

“Nos últimos 16 anos, cresceu o número de vagas no sistema prisional, 171%. Mesmo assim, o déficit subiu em 269%”, disse, ao citar a superlotação nos presídios.

Situação no RJ ‘caminha para melhorar’

À tarde, Jungmann esteve na sede da Polícia Federal em Brasília para participar da posse da nova secretária-executiva da corporação, delegada Silvana Helena Borges

Questionado sobre a situação da violência no Rio de Janeiro, que passa por uma intervenção federal, o ministro avaliou que o cenário no estado “caminha para melhorar”.

Segundo Jungmann, o governo entregará ainda neste mês mil viaturas às polícias cariocas, além de enviar armamento e equipamento para o estado.

“Já se sente na prática (a população), sobretudo, no sentido das perspectivas. Porque nós estamos reestruturando a área de segurança do RJ. Agora, imaginar que nós não vamos ter conflitos e dificuldades no Rio de Janeiro, infelizmente, temos que admitir que vão acontecer. O que importa é que reduza a capacidade operacional do crime organizado, alcance seus arsenais e seus centros de fluxo financeiros e que a impunidade não predomine. Seja policial, seja civil, quem fez, quem delituou tem que ser punido”, afirmou.

Fonte: G1

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