Não precisamos de mais marginais na PM – II


Assaltante vira soldado da PM por omissão da justiça
Processo ficou engavetado um ano na comarca de Murici e beneficiou Emerson Afonso de Oliveira que foi nomeado no concurso da Policial Militar
Por João Mousinho
Uma trama criminosa envolvendo um assalto planejado por Emerson Afonso de Oliveira e Mauro dos Santos foi a motivação para um assaltante fazer parte da corporação da Polícia Militar de Alagoas. Mesmo tendo confessado o crime, Emerson Afonso foi nomeado para exercer o cargo de soldado da PM no dia 28/6/2010, quando o inquérito policial tinha sido realizado no dia 10/2/2010 e já apontava para o crime de roubo qualificado.
O assalto foi arquitetado por Mauro dos Santos que foi até a casa de Emerson Afonso, ambos residentes do município de Murici, e lhe fez a seguinte oferta, conforme relata o inquérito: “Iria levar em Maceió uma mulher (Marilene de Brito), desta cidade (Murici) para receber uma quantia em dinheiro, referente a diferença de uma pensão e se Emerson poderia lhe ajudar na ação.”
Após o contato entre Emerson e Mauro o crime estava planejado e aconteceria como foi combinado. O Ministério Público ofertou denúncia contra os dois e narrou da seguinte forma: “A vítima Marilene Brito se dirigiu juntamente com o denunciado Mauro Santos para a Caixa Econômica em Maceió, com a finalidade de receber rendimentos derivados dos retroativos de sua aposentadoria.”
Depois de sair da agência bancária, no bairro do Feitosa, Marilene recebeu R$ 19 mil e em seguida se dirigiu ao escritório de sua advogada na companhia de Mauro. Após repassar os honorários a advogada, regressaram a Murici, onde a ato criminoso viria a acontecer.
Quando Mauro e Marilene passarem pelas imediações da Fazenda Lage, Murici, o criminoso avisou a vítima que estavam sendo seguidos por uma motocicleta e que se tratava de um assalto. Mauro parou de forma espontânea o veículo e foram abordados por Emerson Afonso de Oliveira, que se utilizava de uma arma de brinquedo e anunciou o delito mandando Marilene Brito entregar o dinheiro. No mesmo ato, além do montante, foram roubados os documentos da pensionista e seu aparelho celular.
No dia 1º de setembro de 2010 o Ministério Público, por meio do promotor Carlos Eduardo Baltar Maia, requereu a instauração de ação penal contra Emerson Afonso e Mauro dos Santos após os indícios incriminatórios revelados pelas investigações policiais e confessado por Mauro dos Santos, a participação do conluio com Emerson para agir à margem da lei.
Lentidão – O processo (clique aqui) que aponta Emerson Afonso e Mauro dos Santos como autores do assalto ficou quase um ano engavetado na comarca de Murici, favorecendo os réus confessos, já que não foram punidos no rigor da lei.
A juíza de Murici, Aída Cristina Lins Antunes, recebeu do delegado da polícia Civil, José Robson Coutinho Medeiros, no último dia seis de janeiro de 2011 a cópia do inquérito, sobre o delito de roubo qualificado. O julgamento deve levar os denunciados para cadeia e a perda da farda do PM.
Antecedentes criminais – Para o cidadão exercer um cargo público deve ter uma conduta ilibada e não registrar antecedentes criminais, achando-se no pleno exercício de seus direitos civis e políticos. O caso de Emerson Afonso de Oliveira é emblemático no desrespeito a Certidão Criminal Negativa, uma vez que o aprovado no concurso público deveria apresentar no momento de sua nomeação.
Emerson Afonso [atualmente no 1º BPM] desempenha a função de policial desde a gestão dos coronéis comandantes da PM, Dalmo Sena e Dário César que atualmente é secretário de Estado da Defesa Social.

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