Não temos porque parabenizar o CFAP

Outro dia eu fiz uma matéria falando sobre o absurdo de terem nos colocado pra cantar um hino na hora da chuva, no CFCP, mas com certeza o que o CFP 2010 passou e o que o CFP 2011 tem passado, o que na verdade é uma retratação do que passei no meu curso de formação de soldado há alguns anos, é coisa bem pior e ninguém viu nada!
Muitas têm sido as situações que estão levando os alunos a buscarem, de vez em quando, o auxílio da OAB ou então do MPE. Quando isso acontece, e a autoridade a quem foi feita a reclamação se faz presente ou manda apurar a denúncia, isso resolve o problema por dois ou três dias. Mas depois… Tudo voltava à “normalidade”. E então, novas queixas são feitas…
Que os cursos (CFP ou CFCP) são desgastantes, disso não que se reclamar. Ruim mesmo, por exemplo, é quando chove, e alguns idiotas “inventam” de fazer alguma coisa debaixo de chuva. Tem lugares na frente do prédio onde entramos em forma que fica cheio de água, e mesmo depois da minha postagem ainda há quem faça questão de colocar os novos soldados para marchar simplesmente para ver molhar o coturno.
Por falar em chuva, desde que comecei esse curso, perdi a conta de quantas vezes ficamos a formatura matinal toda na chuva. Às vezes por longos minutos com a leitura do BI, que não diz nada de interessante para gente. Fora isso, perdi a conta de quantas vezes tivemos de fazer ordem unida com equipamentos que não utilizamos no nosso dia-a-dia, bem como de quantas vezes tivemos de ficar marchando rumo a lugar nenhum.
No final, principalmente os recrutas do CFP, se alguém passa mal em forma é sempre punido, principalmente com pernoite. E “eles” usam os motivos mais absurdos para punir. Sobre os hinos, tivemos que aprender e reaprender tantos que parecia que iríamos gravar um CD. Teve um dia, conforme testemunhou uma colega de um dos CFP citados “tivemos de cantar quatro hinos várias vezes para sermos liberados, o que somente ocorreu à noite”. Isso tudo sem falar nas “revistas” e punições do final de semana.
No que se refere às revistas, no começo do curso elas só tinham hora pra começar e iam até quase 23 horas, mas o TC Aleixo (quando ainda estava por lá) ficou sabendo e estipulou que seria até às 21 horas, como se fosse fazer muita diferença, pois ninguém que estava de revista até este horário ia para casa. Infelizmente, depois que ele saiu do CFAP, e a TC Ana Paula assumiu o Comando, tudo voltou a ser como era antes: “as revistas sem hora pra acabar, pelotões inteiros de Licença Cassada (sendo que não tinha lugar no alojamento pra todos os alunos, e muitos ficaram dormindo na sala de aula), tirando pernoites sem motivo, mesmo quando não estavam de serviço”, confirma um aluno formado este ano.
Com a vinda de uma mulher ao comando do CFAP euzinha até acreditei que algo fosse mudar, pois imaginei que a presença feminina fosse ser mais sensível às nossas situações. Na verdade todo mundo sabia que embora a TC Ana Paula estivesse no comando, quem mandava mesmo era o Maj Valdécio. Uma pessoa que se apresentou como sendo boa, mas que depois se revelou como “Maldécio”.
Como eu disse lá no início, a situação de quem está se formando é pior de que a de quem está se reciclando…
Teve um dia que a Comandante disse em forma que o CFAP “ia diminuir os copos que eram fornecidos para os alunos”, pois estávamos bebendo muita água e gastando muito copo. O que ela não revelou, na verdade, é que em todo Pelotão tinha a “cotinha do mês pra comprar materiais de limpeza, bem como copo descartável, e coisas para lanchar”, o que deveria ficar por conta da Unidade Escolar, e que isso tudo que estava sendo usado ficava por nossa conta, sendo que os oficiais, Comandantes de Pelotão, faziam questão de intermediar a angariação desses recursos, que nunca tinham as contas devidamente esclarecidas.
Por falar nos oficiais, os Comandantes de Pelotão, existe um “clamor” unânime perante todas as turmas, seja do CFP ou do CFCP, que o Ten Arandas é um dos piores que já passou por esta Unidade de Ensino. Teve várias ocasiões, quando o mesmo acumulou o comando de dois pelotões, que ele colocava um Pelotão de frente pro outro e ficava falando sempre a mesma coisa, não para ensinar, e sim para irritar mesmo. E era comum, ele fazer isso sempre na hora de liberar, bem dizer à noite. Pense na raiva que ele despertava nos alunos que viam todos os outros pelotões indo embora e ficavam apenas os dele, ouvindo a mesma coisa de sempre: apenas besteiras que o tornaram perante a gente como um cara muito mal quisto.
Certa vez teve um “Corridão do Faustão”, que inventaram por lá, para que os alunos que estivessem fora de forma ou que tinham algum problema pra correr entrassem em forma. E isso ficou estabelecido que ficaria de segunda a quinta, sempre depois da formatura de liberação. Normalmente ia até depois da 20 horas, e quando o aluno estava de revista ficava com o uniforme de TFM mesmo porque nem sempre dava tempo pra trocar de roupa.
As mensalidades, essas eram sempre incógnitas indecifráveis: para onde vão? Onde são investidas? Que história é essa de que toda turma que chega tem de comprar o ar-condicionado? Mensalmente tínhamos que pagar R$ 20,00. E o prazo vai até 3 dias depois do receber o salário. E quem não pagua…
Quanto à água, ainda hoje o CFAP usa do mesmo “procedimento” que usava quando da minha formação, ou seja, a água (aquela que vem da caixa no fundo da APM que quase sempre fica esborrando) é desligada todo dia “coincidentemente” nos intervalos das aulas e no horário do almoço. Como se já não bastasse alguns alunos passarem o dia todo no CFAP, e no final não ter como tomar banho, pior é sentir vontade de ir a algum dos banheiros e os encontrar sujos, nojentos, podres. Ah, mas não é só isso não. Existe horário para fazer uso dos banheiros, os quais só podem ser utilizados nos seguintes intervalos: pela manhã (de 09h30 às 09h45) e à tarde (de 15h30 às 15h45), como se as necessidades fisiológicas tivesse hora marcada para acontecer. Em meus tantos anos de polícia, nunca soube realmente porque “eles” desligavam a água quando mais se precisava dela. Se alguém souber o motivo, deixe um comentário a respeito.
Uma das coisas que não entram na minha cabeça é porque temos sempre de andar correndo no CFAP. Isso qualifica em quê a formação? É um absurdo punir o aluno que é pego andando pelo CFAP. Eu sei que o programa de atividades tem um cronograma que tem que ser seguido, mas o mesmo não é afetado se o aluno simplesmente “anda”. Além do mais, não há como obedecer aos horários, ainda mais nos intervalos, quando os alunos tem arriscar tentar fazer uso do banheiro e ficar sujeito a uma punição. Além do mais, quando se consegue chegar à satisfação das necessidades, tudo tem que ser sempre correndo, e ai de quem não anda precavido. Vai ficar refém da precariedade da falta de “material” higiênico.
Quando o tempo dos intervalos não diz respeito aos banheiros, tome sair correndo para o CPM em busca de um lanche melhorado. Em resumo a questão dos intervalos é assim: tem de escolher entre lanchar e usar o banheiro, porque não dá tempo para os dois.
Foi justamente numa ocasião em que estava fazendo um lanche (eu realmente estava no lanche, e não no banheiro), fiquei sabendo de uns fatos que ocorreram com um dos pelotões comandados pelo Ten Arandas, fatos estes que depois se estenderam para o outro. No caso, o que chegou ao meu conhecimento foi o seguinte:
“Um dia, depois que os alunos voltaram do horário do almoço, ficaram em forma como em qualquer outro dia, e depois foram pra sala. Mas o Ten Arandas, haja vista que não tinha instrutor para ministrar a aula prevista, mandou todos irem pra reserva de armamentos e se armarem com o ‘fuzil’ e depois entrar em forma na quadra. Ordem obedecida, e sem que ao menos fosse feito algum tipo de alongamento nem nada, o tenente simplesmente colocou os alunos para correr debaixo de um no sol forte, isso por volta das 14h30. Quem não conseguiu correr, porque passou mal ou algo do tipo, teve um ‘presentinho’: todos os dias, antes de almoçar, deveria dar duas voltas no CFAP, sendo que à noite, antes de liberar, os ‘presenteados’ deveriam dar três voltas. O detalhe era o seguinte: o Pelotão só sai completo. Depois de uma semana, esse ‘presentinho’ se estendeu para o outro Pelotão comando pelo Ten Anrandas. Pouco tempo depois, ele disse em forma que ‘como o Pelotão estava se esforçando pra correr, ele iria aliviar um pouco’. Então ele mudou o número de voltas, que de duas passou para três (antes do almoço).”
Essa parte foi revelada por uma colega que se formou – há alguns meses – numa terça feira, ocasião em que comemorou muito mais a “saída” do CFAP, que a formatura em si. É, amiga, mal a sua turma saiu do CFAP e já no dia seguinte já estava de volta para saber em qual unidade vocês estavam lotados. E já na quinta e na sexta, sem nem ao menos terem um intervalo após a conclusão do curso (conforme só acontece nos cursos dos oficiais que até viagem de comemoração fazem, muitas vezes até para outros países), na quinta e na sexta lá estavam todos vocês de PO, fardados e desarmados, prontos para trabalhar. E para completar, nem férias completas vocês terão.
Não sei se este é o pensamento das demais pessoas, mas para mim o CFAP é um lugar onde aprendemos muitas coisas… Como, por exemplo, perder dias inteiros sem faze nada… Ser levado ao limite sem motivo algum… Ser tratado mal e até nas músicas devolver isso para a sociedade (quantas foram as vezes em que cantei coisas tipo: “eu pego o inimigo e bato nele até matar”, devolvendo em forma de canções o rancor e ódio que sentimos de muitos comandantes de Pelotão).
Apesar de tudo, só foi bom pelas amizades que fizemos com os colegas, porque fora isso…

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