No AP, policial diz que Batalhão autorizou morte de cão em via pública

Policial foi flagrado executando cão a tiros no município de Amapá. 
TV Amapá entrevistou sargento por telefone na quinta-feira, 21.

A repercussão nas redes sociais de um vídeo que mostra um sargento da Polícia Militar, executando com dois tiros um cachorro, resultou na abertura de processo administrativo contra o policial que atua no município de Amapá, a 302 quilômetros de Macapá. Por telefone, o sargento que preferiu não se identificar, contou à TV Amapá que matou o animal por ordem do comando do Batalhão do município, em função de constantes ataques do animal.
O policial acrescentou que no município não há “carrocinha” e nem controle de zoonoses, e que havia solicitado ao pai da dona do cão que o prendesse. Nas imagens, o sargento aparece se mantendo distante do animal enquanto carrega com munição a arma utilizada para os disparos. Ele se aproxima do cachorro e o mata com dois tiros. O ato é assistido por várias crianças e moradores do local.
A abertura do processo administrativo foi feita pela Corregedoria da PM em Macapá, determinando que a investigação aconteça na própria cidade. O vídeo foi postado na rede em 19 de agosto, e em dois dias teve mais de 650 compartilhamentos de internautas revoltados com o caso.
O fato também está sendo acompanhado pela Comissão Especial de Direitos de Defesa e Proteção dos Animais, vinculada à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O presidente da comissão Edmir Almeida argumentou que não havia motivos para a violência aplicada pelo oficial, tendo em vista que no momento dos tiros o animal não aparentava agressividade.
“Tudo tem que ser bem apurado, pois várias versões foram apresentadas e em uma delas contam que o cão mordeu uma criança, mas mesmo assim não havia necessidade dessa ação agressiva”, acrescenta Almeida.
Membros da comissão vão se deslocar até o município, além disso, apontam que pelo menos dois crimes foram cometidos pelo sargento. “O fato de usar uma arma de fogo no meio de pessoas, ainda mais de crianças configura uma irregularidade. Além disso a morte do cão é crime ambiental contra animal doméstico”, destaca o presidente, acrescentando que a pena prevista para o delito é de até um ano e quatro meses de cadeia.
A advogada Tânia Ciuff, que integra a ONG Força Animal, junto com outras instituições que atuam em defesa de animais iniciou uma mobilização para cobrar punição para o crime. “Vamos esperar o andamento judicial do caso para nos mobilizarmos contra atitudes covardes como essa”, disse.
As ONGs buscam para o caso a mesma repercussão que teve o assassinato do cão ‘Luiz’, morto com um golpe de facão dado por um vizinho dos donos do animal, o fato ocorreu em 13 de abril de 2013, na Zona Norte de Macapá. O suspeito foi detido e responde em liberdade pelo caso. Este foi o primeiro caso de maus-tratos a animais domésticos julgado no Amapá.
Do G1 AP

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