O povo morre enquanto o coronel sepulta o capitão

Durante o período de final de ano – momento em que muitas pessoas usam o 13º para fazer compras e pagar dívidas nas agências bancárias – as ruas do centro de Maceió ficam lotadas, caracterizando assim um certo formigueiro humano.
Como não poderia deixar de ser, boa parte do efetivo policial das unidades da capital é destina ao reforço do policiamento no centro da cidade, tudo com vistas a garantir a tranquilidade do movimento comercial, o que para os lojistas já está intenso.
Sendo assim, como sempre ocorre, visando coibir assaltos e furtos nessa localidade e imediações (cujas penas são inferiores às penas inerentes ao tráfico de drogas e assassinatos, por exemplo, crimes estes que são muito mais graves e até tem o patamar de hediondo), o Comando do Policiamento da Capital – e todos nós sabemos que há motivação financeira para tanto – descobre as demais áreas, onde a criminalidade apresenta altos índices, em detrimento do comércio sazonal.
Apenas para que os amigos briosianos tenham uma noção da gravidade dessa situação, que é o descobrimento de áreas, basta lembrar que há pouco mais de um mês, mesmo com o reforço do policiamento no Conjunto Carminha, os traficantes locais “mandaram um recado para a Base Comunitária” deixando claro quais seriam as suas ações, assim como estabeleceram o “toque de recolher”. Ainda sobre o que anda acontecendo no Carminha, é de nosso conhecimento que crianças de 12 anos de idade andam acompanhando os movimentos das guarnições e relatando aos bandidos todos os seus passos na região. Apensar disso, nossas autoridades negam o fato e andam dizendo que “tudo não passa de fofoca”.
Ainda ontem, dia 25, duas das áreas descobertas já deram uma prévia do que está por vir, quando dois homens foram assassinados a tiros, um com 04 e outro com 13 (clique aqui).
Apesar disso, não é só a sociedade que vai sofrer com as medidas de policiamento do CPC. Se por um lado o restante da capital vai perder policiamento para o centro da cidade, por outro a “nova” ideia do Coronel Gilmar (que através de seus atos demonstra que acabou com o resto de senso, se é que ele ainda tinha algum), muito divergente das ideias que ele tinha quando era capitão, vai não apenas engessar o policiamento, como também exterminá-lo, como já denunciamos em outra ocasião (clique aqui). Isso posto, afirmo: “O Coronel Gilmar de hoje em dia está sepultando o Capitão Gilmar de outrora”.
Há algumas horas aconteceu uma reunião no CPC e ele, o Gilmar, determinou que fosse feita uma escala de serviço de 12 por 36, aplicando o que estabelece uma Portaria Ministerial do Ministério da Justiça – que se aplica apenas para as cidades que vão sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014, o que não é o nosso caso… Até aí tudo bem, só que o horário desse serviço será das 19:00h às 07:00h, “noite sim / noite não”, isso quer dizer que o militar irá tirar 15 serviços noturnos por mês, onde a lei diz que quem tira um serviço noturno de 12 horas deverá ter, no mínimo, 48 horas ininterruptas de folga (art. 121 do EPMAL c/c RISG). E como sempre, o batalhão escolhido por ele para servir de “laboratório” foi o BPRp; e os militares daquela unidade já estão achando que o Batinga deva ter alguma coisa contra eles, pois o descaso para com os mesmos, tanto no que se refere às acomodações (clique aqui) até as condições de serviço, tem sido gritante.
É, meus caros, pelo que apuramos, os companheiros da Casa do Pitbull estão todos revoltados ao ponto de enlouquecer, principalmente por um detalhe: essa escala, que resta provado ser desumana, será cumprida apenas por soldados, pois os oficiais continuarão tirando 01 ou 02 serviços na semana, enquanto que os sargentos continuam com turnos de 12×24 / 12×48. Com isso, em pouco tampo vai acontecer o que o Capitão Emery observou em sua monografia, no ano de 2009, ou seja, que boa parte do efetivo do BPRp vai acabar de LTS.
Desse jeito, meus caros, só quem perde é a população, pois ninguém suporta essa escala de serviço, que já se encontra no mural e começa a partir de hoje à noite, dia 26 de novembro.
Para finalizar, trago à lembrança um fato que ocorreu em 2002, quando o efetivo da corporação era bem melhor empregado, ocasião em que no mês de março daquele ano 30 policiais entre oficiais e praças foram empregados no combate à dengue por semanas no bairro do Tabuleiro do Martins, em parceria com a prefeitura, algo que na visão do Coronel Ronaldo, então comandante, servia para mostrar que a preocupação da Corporação “não está apenas com a segurança da população, mas também com o seu bem-estar”, algo que não se vê com as doutrinas de policiamento que estão sendo adotadas ultimamente pelo Comando de Policiamento da Capital, onde a vida humana é menos importante que as compras de natal.

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