Operação Paiol: militar da Aeronáutica e ex-Exército estão entre presos por tráfico de armas

PM da reserva também foi detido. Segunda fase da operação cumpriu 23 mandados de busca e apreensão no DF e em Goiás.
Cinco pessoas foram presas no Distrito Federal na manhã desta quinta-feira (12) durante a segunda fase da Operação Paiol, que combate o tráfico de armas. Entre os detidos, estão um policial militar da reserva, um militar da Aeronáutica e um ex-militar do Exército.

Este último, Pedro Henrique Santana, também foi preso na primeira fase da operação, em março, quando 17 pessoas foram pegas. Segundo a Polícia Civil, fazia a recarga das munições e vendia e alugava as armas em casa.

A Polícia Civil expediu, ao todo, 11 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão no DF e em ao menos cinco cidades do Goiás.

O próximo passo, segundo o delegado responsável pela operação, Victor Dan, será investigar de onde vieram as armas e se há mais gente envolvida. “Nós sabemos que alguns criminosos estavam indo até essa casa, onde foram apreendidas as armas, para comprar munições e repassá-las para assaltantes, para homicidas, que já estão presos desde a primeira fase”, disse.
Foram apreendidas 16 armas – entre revólveres, pistolas e espingardas – cerca de mil munições, além de dinheiro falsificado e coletes a prova de balas. A operação é realizada por cerca de 200 policiais civis e conduzida pela 23ª DP, em Ceilândia.
Desde a primeira fase, deflagrada em 7 de março, a operação prendeu 22 pessoas e confiscou 23 armas.

Policiais civis cumprem mandado de prisão em Vicente Pires, no DF, durante Operação Paiol (Foto: TV Globo/Reprodução)
Policiais civis cumprem mandado de prisão em Vicente Pires, no DF, durante Operação Paiol (Foto: TV Globo/Reprodução)

Investigações internas abertas

Em resposta ao G1, a Polícia Militar informou que o PM já está na reserva remunerada e, por isso “vai responder na Justiça comum, não na militar”. Além disso, pelas vias administrativas, “será aberto procedimento apuratório para analisar as circunstâncias do fato”.

Já a Aeronáutica informou que, após a conclusão da apuração, o militar das Forças Armadas – que ainda está na ativa – “poderá ser punido com o licenciamento do serviço ativo, o que significaria sua exclusão das fileiras da Força Aérea Brasileira (FAB)”.

O Comando da Aeronáutica disse que colabora com a autoridade policial nas investigações e ressaltou que repudia “atitudes desta natureza” e “atua firmemente para coibir desvios de conduta de seus militares”.

Armas apreendidas na Operação Paiol, deflagrada pela Polícia Civil do DF contra o tráfico de armas (Foto: Luísa Doyle/TV Globo)
Armas apreendidas na Operação Paiol, deflagrada pela Polícia Civil do DF contra o tráfico de armas (Foto: Luísa Doyle/TV Globo)

Primeira fase da operação

Na primeira fase, foram apreendidas armas, munições, drogas e até dinamites que, segundo as investigações, eram usadas na explosão de caixas eletrônicos.

Na ocasião, a operação desarticulou um esquema criminoso que vendia armamentos para que os compradores praticassem crimes como assassinato, latrocínio, roubo e tráfico em diversas regiões do DF.

Entre os detidos estava um ex-militar do Exército, apontado como comandante do grupo. Ele serviu como soldado em 2011, ano do serviço militar obrigatório. Além disso, segundo a Polícia Civil, ele atuou como policial militar em Goiás, em um contrato temporário até 2015.

Segundo as investigações, o ex-militar vendia as armas após obtê-las de colegas de farda que, afirma a corporação, “ainda fazem parte do quadro militar”.

Munições apreendidas pela Polícia Civil do DF durante a Operação Paiol, contra o tráfico de armas (Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Munições apreendidas pela Polícia Civil do DF durante a Operação Paiol, contra o tráfico de armas (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

 

FONTE: G1

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