Ordem Absurda, Prevaricação e Coação

Todos os militares, até mesmo os mais recrutas, sabem que “ordem absurda não se cumpre” e que, de igual modo, “prevaricação e coação são crimes”. Quase todos os militares conhecem bons exemplos inerentes a estas três situações.
Pois bem, segunda-feira à tarde houve um acidente nas imediações do Shopping Iguatemi, mas felizmente ninguém se machucou gravemente. Infelizmente, para um dos envolvidos no acidente, quem figurava como (a outra) vítima foi ninguém menos que a filha do Governador Teotônio Vilela Filho.
Segundo alguns colegas militares que compareceram rapidamente no local da ocorrência o motociclista alegava ter sido fechado e dizia em alto e bom som repetidas vezes que “queria que o procedimento fosse feito, pois ele não iria ficar no prejuízo”. Acontece que, segundo o que me foi informado, um “leão de chácara” (alto e gordo, mas não era “aquele outro”) que se apresentou – de terno – como policial militar tratou de coagir o motociclista, a real a vítima do acidente, para que ele “ficasse na dele, para não se complicar ainda mais”.
Algum tempo depois chegou o pessoal da perícia, que iniciou os procedimentos dando a “devida” atenção à condutora. Mas o motociclista queria, dentro da sua área de conhecimento, que o fato fosse registrado em BO, razão pela qual queria prestar uma queixa contra “a condutora” por direção perigosa, lesão corporal e dano. Essa sua pretensão, foi “devidamente” abafada pelos “leões de chácara”. Ademais, quando o motociclista perguntou ao perito sobre o relatório do acidente, a resposta foi: “vá ao DETRAN daqui á uns dez dias e pega lá…”.
Tentamos conseguir mais algumas informações sobre esse episódio junto aos amigos do CIODS, mas não obtivemos muita coisa, embora muitas testemunhas residentes nas adjacências tenham relatado o mesmo fato com diversos detalhes, sendo que em todas as versões que ouvi as pessoas disseram praticamente a mesma coisa: a de que “a condutora” errou, pois foi ela quem provocou o acidente, e que o motoqueiro quase levou umas tapas dos seguranças.
“Por nós, ‘parêa’, a gente fazia o procedimento que deveria ter sido feito, com isonomia e imparcialidade, mas o você sabe como é que é a nossa polícia. […] Tudo o que a gente fez no caso partiu ‘de cima’, e como a gente é peixe pequeno e não tem ninguém pra ser por nós, sempre temos de ‘fazer como a vaca’ faz…”. Sendo assim, trazemos esse fato à tona para que as devidas responsabilidades sejam atribuídas, em especial a ordem emanada pelo superior hierárquico (que determinou o deslocamento das guarnições) e a coação no local do fato.

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