Ouvidoria quer apuração de denúncia de omissão da PM na Virada Cultural

Reclamantes relatam omissão de policiais diante dos arrastões em SP.
Ofício será levado à Corregedoria da PM e MP; Polícia Militar vai analisar.
A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo pretende cobrar da Corregedoria da Polícia Militar (PM) e do Ministério Público (MP) a apuração das denúncias que recebeu sobre a omissão e o mau atendimento de policiais militares durante a Virada Cultural. Um efetivo de 3.420 PMs cuidou da segurança do público nas 24 horas do evento, que atraiu 4 milhões de pessoas entre sábado (18) e domingo (19). Apesar disso, duas pessoas morreram, quatro foram baleadas e seis esfaqueadas. Também ocorreram 12 arrastões durante os shows.
“O papel da polícia é o de se pautar pela legalidade. Recebemos denúncias por meio de telefonemas para a Ouvidoria. São pessoas reclamando que durante os arrastões acharam que a polícia não agiu prontamente, o que caracterizaria omissão ou mau-atendimento”, afirmou nesta terça-feira (21) ao G1 o ouvidor Luiz Gonzaga Dantas. “Como tem reclamações da população, estaremos oficiando a Corregedoria da PM e o MP para tomarem providências sobre esses casos”.
Segundo a Ouvidoria, as denúncias que deverão ser encaminhadas nesta tarde. São, pelo menos, quatro reclamações anônimas feitas ao órgão pelo telefone 0800-177070, além de recortes de jornais e cópias de matérias veiculadas na internet sobre pessoas que denunciam omissão dos policiais militares durante a festa.
Algumas das vítimas de arrastões também relataram ao G1 que viram omissão de PMs em alguns arrastões na Virada Cultural. “Vi gente tendo celular roubado na frente de PMs e eles disseram que não podiam fazer nada porque estavam em apenas quatro policias contra 60 criminosos fazendo arrastão”, disseram no domingo o casal Paulo Henrique Maciel Mariano e Gabriela Magalhães de Jesus, ambos de 21 anos.
Omissão
Segundo o deputado estadual Olímpio Gomes (PDT), que foi major na PM, policiais militares confirmaram a ele que houve omissão em protesto contra a falta de reajuste salarial. “Mais de dez policiais me disseram que ‘já que governo não tem o mínimo de consideração com a gente, atrasando pagamentos da Operação Delegada e não reajustando nossos salários, para nós o jeito é’, no jargão policial, ‘atender o que cair no capô da viatura’. Então, isso é ruim porque se temos uma segurança precaríssima, a situação vai piorar mais.”
PM e MP
Procurado pela equipe de reportagem para comentar o assunto, o comandante-geral da PM no estado de SP, coronel Benedito Roberto Meira, negou a possibilidade de seus comandados terem sido omissos diante das ocorrências em protesto por maiores salários. “Se tivesse tido omissão da PM, não teríamos prendido 33 adultos e apreendido dez menores de idade. Gostaria que uma pessoa apontasse um policial que fosse omisso. Denúncia anônima é complicada. Tem pessoas que fizeram isso de forma irresponsável no Twitter”, argumentou o oficial da corporação.
As prisões e apreensões feitas pela PM foram de suspeitos de roubos, furtos, tráfico de drogas etc.
Indagado sobre as denúncias de omissão que a Ouvidoria pretende encaminhar à PM, o coronel Meira disse que irá analisar cada caso para depois tomar alguma eventual providência. “Não dá para a Corregedoria abrir procedimento para apurar denúncia sem informações como, nome de policial que foi omisso, a rua onde ele estava, horário etc. Se tivermos esses dados, serão instaurados procedimentos na Corregedoria, se não tiverem fica difícil apurarmos”.
Até esta manhã nenhum documento da Ouvidoria com denúncias de omissão de PMs durante a Virada Cultural havia sido encaminhado ao Ministério Público.
Veja abaixo os números do balanço da Virada Cultural:
Saúde
– 1.883 atendimentos, com 262 remoções e dois óbitos.
– Duas pessoas seguiam internadas em estado grave na noite desta segunda: um homem de 40 anos por overdose e um jovem de 17 anos baleado no tórax.
– Causas principais dos atendimentos: intoxicação por álcool e drogas, ferimentos por arma branca e pancadas.
Violência
– Duas mortes: homem de 21 anos vítima de parada cardiorrespiratória (suspeita de overdose) e jovem de 19 anos baleado no rosto.
– 4 feridos por arma de fogo.
– 6 feridos por armas brancas (facadas).
– 12 arrastões.
– 33 pessoas detidas e 10 menores apreendidos.
– Uma arma de fogo e uma arma de brinquedo apreendida.
– Efetivo: 3.420 PMs no policiamento do evento.
Guarda Civil Metropolitana
– 1.400 GCMs trabalharam no evento.
Lixo recolhido
– 459,4 toneladas de lixo recolhidas.
– 4.200 pessoas trabalharam na limpeza.
Comércio ilegal
– 15.586 produtos variados apreendidos, principalmente bebidas: 8.493 unidades de cervejas, 3.493 de refrigerantes, 1.208 de água e 965 de vinhos. As apreensões foram enviadas ao depósito da Subprefeitura da Sé.
– 17 caçambas recolhidas por estarem em locais de circulação do público (9 multadas).
– 795 sacos (80 kg) com bebidas alcoólicas sem procedência, além de carrinhos de alimentos irregulares.
Infraestrutura do evento
– 25 palcos.
– 22 intervenções (projeção/teatro e música de rua/instalação).
– 8 pistas de dança.
– 1.000 banheiros entre padrão e especiais para PNE.
– 600 metros de barricadas antipânico.
– 1.200 metros de fechamento metálico.
– 5.000 metros de grades de proteção.
– 800 cavaletes e 100 cones para fechamento das vias + 2 km de fita zebrada.
– 50 geradores de energia – gerando mais de 10.500 KVA (252.000KW/H nas 24h).
– 10 telões.
– 4 postos médicos por 24 horas com 42 ambulâncias, sendo 16 com UTI.
– 700 funcionários contratados (agentes de limpeza, bombeiros e carregadores).
– 1.300 seguranças particulares.
– 250 produtores e diretores de palco.
– mais de 150 montadores.
– mais de 300 técnicos de som, iluminação e projeção.
Chefs na rua
90 mil pratos vendidos.
Do G1 São Paulo

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