PMAL forma Técnicos em Segurança com 20 tiros

Bom dia caríssimos responsáveis pelo Briosa em Foco. O que eu quero informar é exatamente isso que os senhores leram no título deste artigo. A última turma formada este ano (abril se não estiver enganado), que teve uma formação de aproximadamente oito meses de curso no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças) e durante todo esse período já no final do curso foram deslocados para o “Estande de tiro da PMAL”, que fica na cavalaria e que de estande não tem nada. Um espaço com britas no chão e um alvo ao pé de uma barreira, isso é um estande?
Infelizmente na PMAL tudo é assim: esculhambado! E foi nesse local onde os alunos foram exercitar o que aprenderam na teoria. O grande problema é que os alunos só efetuaram 20 disparos. E em alguns casos, com arma de fogo diferente, o que só piora a situação. E com esses 20 disparos receberam ao término do curso um certificado de “Técnico em Segurança Pública” (absurdo).
É bem verdade que alguns alunos efetuaram mais disparos, porém para realizarem tamanha façanha, buscando aperfeiçoar algo que é obrigação e dever do Estado, o que no caso é investir na formação desses profissionais, tiveram que comprar munições recarregadas (que absurdo). Outros fizeram o curso de tiro tático, nos finais de semana, quando não sofriam punições.
Outro grande agravante é que dos soldados formados neste curso, 128 destes foram enviados para destacar no BPRp (Batalhão de Rádio Patrulhamento), a elite da Polícia Militar. Ao chegarem no citado batalhão tiveram que fazer a chamada “semana de adaptação”, que antes chegava a durar quase um mês, mas que hoje – sabe-se lá porquê – dura somente uma semana; onde foram realizadas aulas teóricas e depois prática (que não aconteceu).
Muitos permaneceram, e ainda permanecem, com dificuldade na parte de tiro. A esses valorosos soldados que não têm culpa nenhuma é disponibilizada diariamente no serviço, várias armas para trabalharem, porém muitos nunca deram um tiro com uma MT 12, com a PT Imbel (que é a pistola do batalhão) e etc. Contrariando toda e qualquer norma existente na face da terra. Como por exemplo, Documento da ONU sobre princípios para “uso da força por entidades policiais” que entre outros pontos apresenta:
Considerando que o trabalho dos funcionários encarregados da aplicação da lei (*) é de alta relevância e que, por conseguinte, é preciso manter e, sempre que necessário, melhorar as condições de trabalho e estatutárias desses funcionários;
APELA a todos os governos para que promovam seminários e cursos de formação, a nível nacional e regional, sobre a função da aplicação das leis e sobre a necessidade de restrições ao uso da força e de armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei;
Os governos e entidades responsáveis pela aplicação da lei deverão preparar uma série tão ampla quanto possível de meios e equipar os responsáveis pela aplicação da lei com uma variedade de tipos de armas e munições que permitam o uso diferenciado da força e de armas de fogo. Tais providências deverão incluir o aperfeiçoamento de armas incapacitantes não-letais, para uso nas situações adequadas, com o propósito de limitar cada vez mais a aplicação de meios capazes de causar morte ou ferimentos às pessoas. Com idêntica finalidade, deverão equipar os encarregados da aplicação da lei com equipamento de legítima defesa, como escudos, capacetes, coletes à prova de bala e veículos à prova de bala, a fim de se reduzir a necessidade do emprego de armas de qualquer espécie;
Os governos e organismos encarregados da aplicação da lei deverão assegurar que todos os responsáveis pela aplicação da lei recebam treinamento e sejam examinados com base em padrões adequados de competência para o uso da força. Os responsáveis pela aplicação da lei que tenham de trazer conseguem armas de fogo só devem receber autorização para fazê-lo após terem completado o treino necessário relativamente ao uso de tais armas;
(…).
Infelizmente não é isso que acontece. Neste ponto faço um apelo aos oficiais que destacam no BPRp: “revejam essa situação”. Um oficial sozinho não consegue muita coisa, porém vários unidos podem melhorar a qualidade da tropa e do batalhão (que deixa a desejar e muito), e assim prestará um melhor serviço a sociedade.
Não posso deixar de informar que durante a formação no CFAP, foram aprendidos mais hinos que tiros dados. Acredito até que na hora que for preciso abordar um cidadão em atitude suspeita os policiais irão cantar um desses hinos para o cidadão.
Sem contar que a grande maioria das armas usadas nos treinamentos dos novos policiais estavam em péssimo estado de conservação, com raríssimas exceções.
É realmente de se questionar: o que é que o coronel Luciano Silva esta fazendo no comando? Já sei: brincando de “Polícia e Ladrão” juntamente o coroné (e não coronel) Dário (o Cesar). E como sempre, a sociedade paga o preço da incompetência desses pseudo-gestores e militares.
Concluo chamando a atenção de todos os leitores e desejando que o Ministério Público e a quem possa interessar que a omissão dos órgãos competentes poderá influenciar grandemente na sociedade de amanhã, principalmente porque os nossos familiares podem ser uma vítima de tamanha omissão. Pois “um” faz de conta que investe(estado) e “o outro” faz de conta que fiscaliza(órgãos competentes).

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