PMs acusados de estupro no Rio se contradizem em depoimento

Agentes denunciados pelo MP foram ouvidos pela Auditoria Militar do TJ-RJ.
Justiça decretou prisão preventiva dos três, que podem ser expulsos da PM.

Os três policiais militares acusados pelo Ministério Público pelo estupro de três moradoras do Jacarezinho, Subúrbio do Rio, prestaram depoimento nesta quinta-feira (21) na Auditoria Militar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Gabriel Machado Mantuano, Anderson Farias da Silva e Renato Ferreira Leite, que tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, entraram em contradição ao depor sobre o caso, segundo reportagem da GloboNews.

Mantuano, primeiro a ser ouvido, negou a prática do estupro. Leite, no entanto, confirmou que viu Mantuano e Silva mantendo relações sexuais com as vítimas, mas afirmou que não houve emprego de força por parte deles. O PM admitiu que não fez nada para impedir o ato dos colegas.

Já Silva confirmou que esteve no Jacarezinho na noite de 5 de agosto, mas negou que tenha tido contato com as mulheres que acusam a ele e os dois colegas de estupro coletivo. Questionado pela juíza por qual motivo ele foi denunciado pelas vítimas, Silva disse acreditar que o policiamento ostensivo na região esteja incomodando os traficantes, que estimularam as mulheres a forjar as denúncias.

Terminado o depoimento, os três PMs foram levados de volta ao Batalhão Especial Prisional (BEP), onde permanecerão presos.

Perigo à sociedade
Ao determinar a prisão preventiva dos três PMs, a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Barros destacou que as “afirmações das supostas vítimas indicam a periculosidade dos policiais militares”. A magistrada concordou com o argumento da promotoria de que os PMs colocam em risco a ordem pública.

“Recebo a denúncia, considerando os indícios de fatos que, em tese, constituem crimes militares de natureza gravíssima, sendo certo que materialidade delitiva e autoria encontram-se indiciaria mente demonstradas especialmente pelas declarações prestadas pelas supostas vítimas, que narram com riqueza de detalhes a empreitada criminosa e o modus operandi dos policiais militares”, destacou a juíza em sua argumentação pela prisão dos militares.
O promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, da 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar, encaminhou a denúncia ao Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) na sexta-feira (15). No documento, o promotor defendeu que, por demonstrarem comportamento violento e personalidade distorcida, os PMs representavam “evidente risco à ordem pública”.
Nesta terça-feira (19), o advogado Felipe Simão, que representa os policiais militares Gabriel Machado Mantuano e Anderson Farias da Silva, disse, por telefone ao Bom Dia Rio, que a decisão foi precipitada e desnecessária. Segundo ele, os PMs são réus primários, possuem emprego e, por isso, têm direito constitucional de responder em liberdade.

Expulsão sumária
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou, por meio de nota, que tem acompanhado de perto o desenrolar das investigações que apuram o estupro ocorrido no Jacarezinho. Os policiais militares, apontados pela polícia como autores do crime, já estão presos e o secretário vai solicitar expulsão sumária dos autores.
Na nota, o secretário pede desculpas às vítimas e aos familiares e afirma que as circunstâncias das denúncias contra agentes só “agravam o que já é muito grave”. “Infelizmente, a polícia não está imune de admitir em seus quadros pessoas que vão trair a missão de servir e proteger”, disse o secretário.
Do G1 Rio

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