PMs “barrigudos”

Em nossa postagem “A notícia que queríamos dar”, fizemos uma observação em relação a muitas coisas que não ocorrem na PM e que gostaríamos que passassem a acontecer. Em certo trecho da postagem falamos sobre o condicionamento físcio na coporação da seguinte forma:
“O comando de cada unidade deverá adotar medidas para que o seu efetivo seja incentivado a praticar esportes como forma de prevenção e melhor condicionamento físico, ou outras ações que diminuam a ociosidade (atualmente um dos principais problemas da nossa corporação)”.
Um dia após a divulgação da nossa postagem, e no afã de rebater as críticas feitas pelo presidente do Tribunal de Justiça, o Comandante Geral, coronel Luciano Silva, fez as seguintes declarações:
“Foi uma observação dele [presidente do TJ] e não deixa de ser válida, porém esses casos não são maioria. Nós da corporação temos uma preocupação com relação ao preparo físico. Além dos testes que os policiais precisam fazer, temos projetos e trabalhos físicos que os incentivam a manter um bom condicionamento físico. Buscamos sempre melhorar o quadro”.
Em sintonia com as declarações do comandante, o chefe do Centro de Educação Física da Corporação, capitão Alberto Cardoso, esclareceu que para atuar na PM ou ser promovido, o PM tem de ser aprovado no Teste de Aptidão Física (TAF), que conta com exercícios físicos, como corridas de 12 minutos, flexões em barra fixa e de braços, “shuttel run” – corrida de ir e vir – e abdominais.
O que o capitão não revelou foi que uma das últimas turmas do CFO teve quase 20 cadetes reprovados justamente no TAF, bem dizer porque não tiveram capacidade de passar nos exames de aptidão física, motivo pelo qual impetraram Mandado de Segurança para permanecerem na corporação, podendo perder  a qualquer momento a segurança jurídica lminarmente concedida. No caso dos praças, não foi dito que os mesmos ficam longos períodos para ser promovidos, e que mais da metade destes policiais ao serem avaliados para as promoções sequer tem capacidade de passar nas avaliações físicas a que são submetidos. Além do mais, muitos destes policiais enfrentam problemas de saúde, sem falar que a maioria dos mesmos quando são submetidos à avaliação médica para efeitos de promoção são “misteriosamente” aprovados, sendo que logo após os respectivos cursos voltam ao status quo, ou seja, voltam a ficar doentes (ou de LTS ou “apto com restrição”).
Ainda segundo o capitão, eles têm à disposição o quadro de trabalho semanal (QTS), no qual é disponibilizado um horário, das 7h às 9h, para atividades físicas. A academia conta com quatro profissionais de educação física para auxiliar nos programas e exercícios. Acontece que na pratica isso só funciona para os militares que estão entrando na PM, ainda assim na condição de cadetes. Percebam na foto ao lado, que os alunos estão no “padrão”, mas logo ao fundo dois desses profissionais – responsáveis pelas atividades físicas – não apresentam uma boa forma física.
“Nós estamos sempre procurando incentivá-los, mas isso é algo que depende da consciência de cada pessoa. É claro que dentre os oito mil homens, alguns descuidam do condicionamento físico”, admite o capitão.
Também, caros leitores, numa escala em que o policial do serviço motorizado quase todos os dias está trabalhando, e sempre cumprindo mais de 12 horas de serviço, sem contar o tempo de deslocamento entre ida e volta para as unidades, como é que alguém vai se dedicar às atividades físicas?
Agora, pior que as declarações do capitão Alberto Cardoso foram as declarações da Dra. Denilma Lins (nutricionista), para quem “a alimentação dos militares também é acompanhada” e que “o cardápio é preparado de acordo com os padrões nutricionais e, aqueles que sofrem com algum problema de saúde, podem procurar consulta com as profissionais que estão à disposição no Centro Médico Hospitalar da PM”, como se isso fosse fazer com que os policiais das unidades viessem a comer outro cardápio que não fosse: arroz mal preparado, feijão salgado, carne de dragão e as famosas penosas, mal cozidas ou fritas em óleos reciclado de diversas frituras – nosso cardápio principal.
Por fim, sobre o que falou a nobre Dra., quando disse:
“Para o número de policiais que temos a procura por nutricionistas e a preocupação com a alimentação ainda deixa a desejar. Estamos sempre prontos para atendê-los, mas depende da vontade e da consciência deles. Já vi casos de militares que estavam ficando acima do peso , se conscientizaram e emagreceram, mantendo até hoje”,
refletimos que “se o número de policiais que procuram o setor de nutrição deixa a desejar, a razão tem duas prováveis explicações: uma é porque o policial no dia-a-dia, devido à excessiva escala de serviço, não tem tempo para se dedicar a estas coisas, até mesmo porque isso não altera em nada a sua vida nutricional na corporação, no que se refere à alimentação adequada que deveria ser adotada por cada unidade”. Ademais, “quando o policial chega a procurar o setor da nutrição, é porque o seu caso é grave”. Moral da história: a PM, na prática, não se preocupa com o condicionamento físico da tropa. Veja-se, por exemplo, as seguintes fotos de alguns militares do CFCP/2011:

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