Polícia pede prisão preventiva de policiais suspeitos de estupro no Rio

Inquérito foi concluído nesta sexta ao Ministério Público, diz Polícia.
Quatro policiais teriam participado do estupro de três mulheres no Rio.

O inquérito da Polícia Civil do Rio sobre a participação de quatro policiais militares no estupro de três mulheres – uma delas menor de idade – no Jacarezinho, no subúrbio do Rio, foi concluído nesta sexta-feira (8) e será entregue ao Ministério Público do Rio, informou a corporação. O documento pede a prisão preventiva dos policiais. Os policiais estão presos desde a última terça-feira (5) no Batalhão Especial Prisional (BEP), quando foram reconhecidas na delegacia por uma das vítimas. 
A Polícia tinha informado que o documento chegaria ao MP ainda nesta sexta-feira, mas, até às 19h29, o inquérito ainda não tinha sido enviado ao ministério.

O delegado Niandro Lima, titular da 25ª DP (Engenho Novo), afirmou nesta quinta-feira (7) que o relatório do caso tem detalhes chocantes. As vítimas afirmaram em depoimento que o PM Anderson Farias da Silva, de 33 anos, foi descrito como o mais violento e agressivo dos policiais. No momento do abuso sexual, ele teria dito a elas “vocês hoje vão ver o capeta”.

Além de Anderson, os PMs presos em flagrante foram identificados como Gabriel Machado Mantuano, de 21 anos, Renato Ferreira Leite, 32 e Wellington de Cássio Costa Fonseca, de 30. O depoimento deste último teria sido decisivo para conclusão do caso. Ele contou que o grupo de policiais estava fazendo patrulhamento na região, quando encontrou um grupo de usuários de crack. Houve uma perseguição e eles chegaram a um beco perto do viaduto que fica nas proximidades da Avenida Dom Helder Câmara, na Zona Norte do Rio.
Wellington disse que ouviu quando os policiais pediram para que todas as pessoas que estavam nas casas desse beco saíssem para revista, inclusive as três mulheres que foram violentadas. Posteriormente, elas foram obrigadas a entrar na casa, onde ficaram nuas e sofreram abuso. De acordo com o depoimento do policial, Gabriel Machado e Anderson Farias praticaram os abusos, enquanto Renato Leite iluminou o ambiente com a luz do celular.

GPS
O delegado também afirmou que vai pedir ao comando das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) o registro do GPS dos rádios de todos os policiais militares que passaram pelo local do crime na madrugada de terça- feira (5) para checar se há mais PMs envolvidos como cúmplices do estupro. O relatório também apresenta o resultado da perícia em um balde que teria resquícios de sêmen de um dos policiais militares, que devem ser indiciados nesta sexta-feira.

Expulsão sumária
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou por meio de nota, que tem acompanhado de perto o desenrolar das investigações que apuram o estupro ocorrido nno Jacarezinho, Subúrbio do Rio. Os policiais militares, apontados como autores do crime, já estão presos e o secretário vai solicitar expulsão sumária dos autores.

Na nota, o secretário pede desculpas às vítimas e aos familiares e afirma que as circunstâncias das denúncias contra agentes só “agravam o que já é muito grave”. “Infelizmente, a polícia não está imune de admitir em seus quadros pessoas que vão trair a missão de servir e proteger”, acrescenta.
Do G1 Rio

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