Policial civil admite ter atirado em dois jovens durante operação na Zona Norte do Rio

Em depoimento prestado na Divisão de Homicídios (DH), um policial da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) confirmou ser o responsável pelos disparos que tiraram a vida de Gilson da Costa Silva, de 13 anos, e Wanderson de Jesus Martins, de 24, durante uma operação no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, nesta terça-feira. O agente apresentou na especializada duas pistolas que, segundo ele, foram encontradas no imóvel onde os jovens foram mortos.
— Meu filho não era bandido. O que fizeram com ele não se faz. Não tinha arma nenhuma com o Gilson. Ele era estudante — disse Eliane da Silva Simplício, de 43 anos, mostrando o boletim do garoto e uma declaração da Escola Municipal Dunshee de Abranches, onde o menino cursava o 6º ano.
Os dois jovens foram mortos por agente da Core

Os dois jovens foram mortos por agente da Core Foto: Rafael Moraes / Extra

Gilson e Wanderson foram enterrados, nesta quarta-feira, no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador, num intervalod e apenas meia hora. Além da dor de terem tido os filhos mortos, durante uma operação policial, no Morro do Dendê, Eliane e Maria Aparecida de Jesus Melo, de 42, mãe de Wanderson, compartilhavam um outro sentimento: o de querer ver os responsáveis pela morte de seus filhos punidos.
– São assassinos. Eles (policiais) mataram brutalmente o meu filho e o outro menino. Foi homicídio, os dois não tinham arma nenhuma. Meu filho tinha carteira assinada e era trabalhador. Estava trabalhando como carregador desde o dia 4 de maio. Antes trabalhava em outra empresa – disse Maria Aparecida.
Maria Aparecida, mãe de Wanderson, chamou os policiais de “assassinos”

Maria Aparecida, mãe de Wanderson, chamou os policiais de “assassinos” Foto: Rafael Moraes / Extra

As duas mulheres disseram que vão acompanhar as investigações e pediram justiça para o caso. Elas negaram que os filhos estivessem armados. Após o sepultamento, cerca de 300 pessoas fizeram um protesto na Cacuia. A manifestação foi acompanhada pela Polícia Militar.
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio vai acompanhar o caso. As duas famílias serão recebidas nesta sexta-feira pelo presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo.
Wanderson e Gilson foram sepultados no mesmo cemitério, em clima de comoção

Wanderson e Gilson foram sepultados no mesmo cemitério, em clima de comoção Foto: Rafael Moraes / Extra

Segundo a Polícia Civil, as armas utilizadas pelos policiais da Core, entre elas um fuzil, foram apreendidas, e uma perícia foi feita no local das mortes. Os policiais envolvidos no caso prestaram depoimento na DH e apresentaram as pistolas supostamente encontradas no local onde as vítimas foram mortas. As mortes foram registradas como “homicídios decorrentes de ação policial”. Segundo a assessoria da corporação, o título do registro ainda pode mudar, após a oitiva de testemunhas e de dados novos que possam surgir durante a investigação.
Fonte: EXTRA

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