Policial infiltrado flagra venda de bebida a jovens em São Paulo

Policiais civis de São Paulo estão sendo infiltrados em bares frequentados por adolescentes para flagrar a venda de bebidas alcoólicas a menores de idade.
Desde o início do ano, ao menos três operações foram desencadeadas pela Deatur (Delegacia de Apoio ao Turista), com o apoio do Procon.
Lei paulista pune estabelecimentos que permitem o consumo de bebidas por menores de idade desde 2011. Há possibilidade de interdição e multa de até R$ 87.250.
Segundo o delegado Cícero Simão da Costa, os principais alvos são estabelecimentos próximos a colégios ou grandes faculdades.
A Folha flagrou na tarde de ontem uma operação realizada em um bar da rua Sergipe, na região central, conhecido como Fissura, que fica ao lado do cursinho Anglo.
Duas adolescentes de 17 anos foram flagradas bebendo cerveja. Quatro pessoas maiores de idade foram detidas por porte de maconha.
A polícia também prendeu em flagrante o dono do bar, Francisco Marques Monteiro, 71, que foi liberado após pagar uma fiança de R$ 678.
Abordado pela Folha, ele não quis se manifestar.
De acordo com o investigador Rodrigo Fukuoka, nessas operações quatro policiais sem uniforme se passam por frequentadores dos bares. Observam as mesas para detectar a venda de bebida e acionam o apoio de outros policiais para as abordagens.
As ações são apoiadas por equipes do GOE (Grupo de Operações Especiais) para evitar agressões aos policiais.
Na operação de ontem, cerca de 20 homens e mulheres participaram das prisões.
Um dos investigadores era um jovem de corpo atlético tatuado. “Se já viermos uniformizados de imediato estaríamos fazendo o trabalho ostensivo e isso é função da Polícia Militar”, disse.
NA DELEGACIA
As adolescentes foram levadas à delegacia na condição de vítimas, e não de infratoras. A mãe de uma delas disse que apoiava a ação.
O coordenador geral do Sistema Anglo de Ensino, Luís Ricardo Arruda, disse que também apoia a iniciativa. “Sabemos que esse é um problema nacional e sempre que podemos vamos até esses locais [bares] conversar com os donos para que não vendam para menores.”
O desembargador Antonio Carlos Malheiros, da Infância e da Juventude do TJ de São Paulo, disse que a operação não está errada, mas que seria melhor ocorrer o acionamento do conselho tutelar.
“Diante do que estamos vendo por aí, adolescente tocando fogo [em dentista], dando tiro na cabeça [de universitário], levar para a delegacia por um copo de cerveja? Vamos com calma.”
Folha de São Paulo

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