Policial que posou com Madonna desmente MBL e nega escolta armada à artista

Um dos policiais militares que posaram ao lado de Madonna, durante ida da estrela ao Morro da Providência, na quarta-feira, Raiff Medeiros desmentiu o Movimento Brasil Livre (MBL) e negou que a artista tenha entrado na comunidade com escolta armada. Em postagem no Facebook, o MBL acusou a cantora de hipocrisia por supostamente contar com os militares no Rio e defender o controle de armas nos Estados Unidos, seu país natal. Após a visita, a americana publicou uma foto ao lado de agentes armados com fuzis.
“Madonna se junta ao seleto grupo de HIPÓCRITAS composto por Wagner Moura, Gregório Duvivier, Fernanda Lima, Marcelo Freixo e tantos outros que arrotam desarmamento, mas não põem o pé pra fora de casa sem segurança armada”, lê-se na postagem, que alcançou mais de 2,5 mil compartilhamentos até a tarde desta sexta-feira.
Ao GLOBO, Raiff Medeiros explicou que o encontro foi por acaso. Como houve confronto pela manhã na comunidade, ele fez parte do efetivo que foi deslocado à Providência para reforçar a guarnição. O agente é integrante da UPP do Salgueiro, na Tijuca, e nem acreditou quando surgiram os primeiros rumores de que a estrela pop estava na favela. “Achei surreal”, classificou.
— Na saída, ela desceu pelas escadaria em que eu estava. Ela viu a guarnição, acho que se impressionou com a farda, com o fuzil, a mística da farda, e pediu para tirar a foto. Gentilmente eu aceitei, como aceito sempre, acho interessante. Ela agradeceu em português, bastante educada, e seguiu o caminho dela. Nem tirei foto no meu celular (…) Foi visita de surpresa. Eu estava mais preocupado com o beco do que com ela, sem desmerecer. Era a minha vida e a do meu colega, não podia vacilar — explicou o policial, que reforçou não ter recebido qualquer orientação em função da presença da artista.

Madonna posta com policiais armados

Madonna posta com policiais armados Foto: Reprodução/Instagram

O MBL ainda ressaltava na imagem um texto do GLOBO que apontava a defesa da artista de regras mais rígidas para vendas de armamento após o massacre de Las Vegas, que deixou 59 mortos durante um festival de música country. Em resposta, Medeiros frisou que “estava trabalhando” e que servia apenas ao povo carioca naquele momento.
“Não fiz escolta armada dela, eu estava lá trabalhando, ninguém sabia que ela iria lá. Do nada ela apareceu na comunidade, e partiu dela o pedido pra tirar a fotografia. Tanto que ela que postou a foto. Em momento algum me foi pedido que fizesse a segurança dela. Eu estava lá pelo povo carioca (…) Espero um pedido de desculpas, tanto pela informação falsa e também por me decepcionar com falsas acusações. Melhorem”, escreveu o agente no Facebook.

PM nega que soubesse de visita

Raiff destaca que “não quis diminuir ninguém” com a postagem: apenas se sentiu na obrigação de explicar que havia aparato policial público na segurança de Madonna.
— O contribuinte tem que ter essa explicação. Não tinha escolta com ela. Tinha segurança com ela, mas não da PM. Batalhão não sabia, UPP não sabia. Fiquei surpreso, minha vida mudou. Eu sou policial há dois anos e pouquíssimos sabiam. Agora, na faculdade, na academia, olham para mim, pedem foto, falam que viram na TV. Mas eu estou segurando, não é o tipo de mídia que eu quero. Não que a Madonna não seja boa pessoa, mas eu só queria minha vida normal. Se eu soubesse que ela ia divulgar, nem tinha tirado (a foto). Não é culpa dela, mas quebrou tudo — ressaltou o agente, que diz não temer por sua segurança fora do anonimato, mas se ressente da quebra de privacidade.
A assessoria da Polícia Militar negou na própria quarta-feira que Madonna estivesse escolta por agentes. A Coordenaria das Unidades da Polícia Pacificadora (UPP) explicou que os policiais a avistaram na comunidade, sem alteração no sistema de policiamento e sem comunicação prévia dos representantes da americana sobre a visita.
Madonna visitou um centro cultural da comunidade, a convite do fotógrafo JR. O francês fundou o Espaço Cultural Casa Amarela, que funciona dentro do Morro da Providência, em 2009. A cantora postou em suas redes sociais uma foto da visita, na qual aparece de roupa camuflada, ao lado dos policiais armados de fuzis. Ela foi alvo de críticas dos fãs pelo clique.
A presença da cantora na favela ocorreu em dia de tiroteio e dois dias após a morte de uma turista espanhola dentro da Rocinha, após ser baleada por um PM.
Fonte: Extra

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