Presenteia os ricos, cospe nos pobres

Às seis da manhã Edjanira, alagoana de 29 anos, leva o pequeno filho nos braços pelas apertadas ruas do Bairro da Pitanguinha, região alta de Maceió. Caminha cansada em direção ao posto de saúde mais próximo e precisa chegar lá o mais rápido possível, pois à noite o menininho de cerca de um ano e meio não dormiu – tinha febre – e estava doente.
Ao chegar ao posto, esperou pacientemente a chegada do médico. Não teve sorte – minutos após a sua chegada funcionários e pacientes tiveram que evacuar o centro médico – pois traficantes da região da Grota do Estrondo haviam mandado o recado: “Vamos invadir o posto, quebrar tudo e meter o cacete em quem estiver lá dentro”. Foi a informação que repassou a nosso Blog o diretor administrativo do Posto, Carlos Magno (clique aqui). Para ele, os funcionários do posto de saúde não tem segurança para realizar o seu trabalho. “Nós chamamos a PM, mas eles disseram que não podem prestar segurança fixa a esta unidade de saúde, pois segundo o comandante informou isto não seria atribuição da Policia Militar”, explica Magno.
Do outro lado da cidade, desde a semana passada cerca de 5 policiais fazem todos os dias a segurança do Teatro Deodoro, por determinação direta do Comandante Geral da PM, coronel Luciano Malvadeza. Os PMs do BPRp em duplas e uma guarnição motorizada desde a última terça-feira ficam prostrados à porta daquela casa de espetáculos. A intenção é proteger os veículos e os pertences dos admiradores de peças teatrais, estes sim ricos e dignos de receberem uma presença mais ostensiva da “Super-Policia do Comandante Geral” (clique aqui), pois no entorno do prédio que abriga o palco oficial do Estado, atendendo aos anseios do público frequentador que se sente intimidado, principalmente, pelo número de “flanelinhas” que insistentemente cobram valores daqueles que chegam ao teatro de carro.
Nas palavras do Lulu todo Maldade: “Temos sim essa preocupação com a segurança no centro, sobretudo no período noturno, e estaremos reforçando o policiamento, inclusive com viatura, no entorno do Teatro Deodoro que tão bem oferta ao alagoano uma programação artística e seremos parceiros, sempre”, frisou o canalha comandante. Alguém imagina que isso sairá de graça? Certamente que não (clique aqui)!
“Não tivemos, até o momento, nenhum caso de violência ou roubo durante os nossos espetáculos, mas muitas pessoas deixam de vir ao teatro se sentindo intimidadas e até indignadas com o assédio desses ‘guardadores de carros’, além do fato de que à noite, só o Teatro Deodoro e de Arena funcionam, no centro, e o nosso público precisa se sentir seguro e à vontade para prestigiar os espetáculos aqui encenados”, disse o Diretor-Presidente da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (DITEAL), Juarez Gomes de Barros.
O Comandante Geral, seus principais beócios assessores, e principalmente o Secretário de Despreparo Social, sua santidade Dário, o tiririca César, persegue-nos incessantemente, e este senhores é o real motivo: nós não deixamos impune os desmandos e a desvirtuação do servir a sociedade que efetivamente mais precisa da nossa atuação, os verdadeiros clientes da polícia: os pobres, os carentes. Denunciamos e vamos continuar a denunciar essas mazelas.
Enquanto falta efetivo para conter a violência que explodiu entre a camada mais baixa depois que o desagregador Dário e o despreparado Luciano assumiram seus imorais cargos, sobra o mesmo efetivo para satisfazer as vontades dos setores mais abastados da sociedade alagoana, no mais fétido jogo de poder perverso – o famoso “toma-lá-dá-cá” – pois para estes dois o pobre não tem vez, o pobre não é o objeto do trabalho deles, e sim a maneira de servir tosca aos ricos da nossa corruptolândia, como o mais subalterno e indigno garçom a exibir num prato a Polícia Militar, como se fosse seu negócio privado. Isto chama-se, nobre leitor, numa analogia “por baixo” improbidade administrativa.
Dário e Luciano são, sobretudo, Militares que nunca fizeram nada pela polícia, muito menos pelo Povo. Arrogantes, nojentos e borçais pensam em sí mesmos e em suas autopromoções. O leigo não perceberá, mas o medianamente aculturado observa que são tão perdidos que sequer conseguem expressar-se com clareza. Sua gestão desastrosa está se refletindo no desmonte da segurança pública e na desmotivação em massa de toda a tropa – a criminalidade é grata a ambos – mas para a tropa, a resposta que o comando geral tem para motivar é a de que “A motivação do Policial Militar é servir a sociedade”.
E quanto ao filho da dona Edjanira, com febre, poderíamos até sugerir que ele fosse atendido no CHPM (clique aqui), mas não faremos isso, porque até o descaso tem limites.

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