A segurança pública de Alagoas no rumo errado

A propaganda institucional do Governo do Estado de Alagoas ainda insiste em dizer que quando o governo Téo assumiu há 5 anos atrás, haviam apenas 46 viaturas em condições de serviço para as duas polícias (civil e militar), sendo que atualmente existem mais de 400 viaturas. Acontece que o – hoje – Comandante Geral, Coronel Luciano (bem como tantos outros coronéis que hoje defendem este governo) sabe que não é bem assim, já que isso não é verdade. Porém, a mentira proferida repetidas vezes acaba se tornando uma verdade, e consequentemente acaba sendo dito e visto como algo real, mas não uma verdade absoluta, pois até mesmo a verdade apresentada comporta questionamentos.
Conforme todos nós sabemos, nem mesmo a Polícia Civil, que tem o menor efetivo dentre as polícias de Alagoas, contava com uma frota de 46 viaturas, conforme divulgou o governador Téo quando da transição do governo Lessa para o seu, e ainda vem fazendo. Porém, mesmo não tendo tantas viaturas há cinco anos como afirma o governo do Teotônio Vilela Filho, ainda assim os índices de criminalidade eram bem menores, conforme nos revela a história, o que reforça o entendimento que este governo, respaldado na omissão da atual gestão da segurança pública em contradizer este tipo de informação, não tem compromisso com a verdade.
Atualmente, ao contrário do que se via na gestão do governo anterior, não se vê tantos projetos para a área da segurança pública, e os poucos que ainda são criados – a toque de caixa, diga-se – dificilmente são aprovados, sendo que o mais constante é que sejam mesmo é reprovados. Ainda sobre os projetos da gestão anterior, não há que se negar que durante o tempo em que a OPLIT esteve em atividade, seu funcionamento foi caracterizado por uma interação entre as polícias civil e militar, período em que muitos recursos inerentes à segurança pública foram trazidos para o Estado. Além do mais, a ostensividade trazida por este tipo de policiamento trazia para o turista uma sensação de segurança muito maior que a que se tenta transmitir com policiamento ciclístico da orla, que para a marginalidade “não é uma polícia de verdade”. Digo isto, porque a grande dificuldade dos policiais que atuam no policiamento ciclístico da orla é se imporem perante os marginais (traficantes, dentre outros malas) que não os reconhecem como policiais, bem como serem vistos pelos turistas ou pelos comerciantes das redondezas da orla como policiais “de verdade” (e quem tiver dúvidas, que faça uma pesquisa in locco).
Ah, quanta diferença entre o que a OPLIT fazia e representava para a sociedade e o que temos visto hoje em dia nas orlas de Maceió. A OPLITE, mesmo com a sua ascensão, acabou sendo extinta pelo delegado Barenco, mas para alguns ela foi transformada na ASFIXIA. Hoje em dia, nem mesmo a ASFIXIA existe mais. Dário César tratou de extingui-la, assim como extinguiu ou “transformou” outros projetos, fazendo parecer novo, como é o caso das Bases Comintárias. É incrível essa capacidade que algumas pessoas tem de destruir bons projetos ou de não dar seguimento a projetos autênticos, simplesmente porque são alheios, a exemplo dos citados e do GRAer – Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo.
Se formos fazer uma comparação entre as políticas adotadas pela cúpula da segurança pública no governo passado e o que temos visto no governo atual, poderíamos perfeitamente definir com vários adjetivos negativos o que vemos hoje em dia, mas ainda assim não esgotaríamos o tema. Contudo, um dos pontos que mais se destacam entre o governo anterior e ao atual é a lisura, posto que atualmente em meio a tantos índices de criminalidade também tem sido uma constante a ascensão de denúncias contra policiais (clique aqui), o que indubitavelmente faz com que a sociedade cada vez mais questione a qualidade do serviço policial ofertado, principalmente quando nos deparamos com uma notícia dando conta que aumentou o número de policiais envolvidos em crimes (clique aqui).
Outro fator que diferencia o governo anterior do atual é a quantidade de concursos para a área da segurança e o número de vagas ofertadas, bem como os investimentos que foram feitos no sentido de qualificar e modernizar diversos setores, a exemplo do nosso sistema de gerenciamento de crises, que foi uma inovação pioneira no Brasil; algo que foi copiado por muitos outros Estados, a exemplo de Minas Gerais.
É lamentável que não haja uma equipe com capacidade para criar projetos que ao menos possam estabilizar os alarmantes índices de criminalidade. Não estamos falando com isso que devessem existir pessoas com capacidade de “reinventar a roda”, mas quando vimos que nem mesmo os projetos simplórios apresentados pela atual cúpula da segurança pública são aprovados, é de dar uma imensa tristeza, ainda mais porque quem “paga” por isso (com o seu patrimônio ou com suas vidas) é a sociedade.

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