Segurança Pública e interatividade urbana

O trabalho policial em suas mais diversas matizes, acompanha “par e passo” a evolução das cidades, desde as pequenas vilas onde todos se conheciam e o “Inspetor de Quarteirão” exercia função algo judicatória, até os atuais complexos e “incontroláveis” conglomerados urbanos, onde o conveniente “desconhecimento” do instituto da “solidariedade” assim como o deletério e pernóstico “cada um por si” contribuem cada vez mais para que as pessoas se sintam inseguras, deprimidas e em muitos casos procurem um amigo, uma religião, um psicólogo, um psiquiatra ou o suicídio, não necessariamente nessa ordem.

Essa “evolução social”, principalmente nas últimas cinco décadas, que relativiza valores, desqualifica a família como entidade “patriarcal” deixando-a acéfala, faz do “preconceito” um pecado mortal (ele é ínsito ao espírito humano) e para qualquer problema que surge cria uma lei para “remendar” a dificuldade, aprofunda e potencializa questões perfunctórias, lançando-as, ainda que indiretamente, às barras da Segurança Pública.

Na atualidade a Segurança Pública como gênero e a polícia como espécie, tornaram-se um tipo de “pronto socorro social”, onde se busca solução para praticamente tudo: do filho que não obedece aos pais até as “torcidas organizadas” que se digladiam e matam quando seus times perdem, ganham, jogam, deixam de jogar, enfim, se matam porque o valor da vida também já foi relativizado.

A preocupação e o cuidado que o gestor público deve ter com a evolução das cidades, é fundamental para que o Estado detenha uma Segurança Pública melhor qualificada.
Nesse processo é imprescindível compreender que ninguém consegue resolver ou equacionar todas as questões da cidade em determinado momento do tempo, isso faz parte de um processo evolutivo e constante: a cidade nunca está pronta, sempre haverá algo por fazer, assim como na Segurança Pública.
O resultado dessa falta de linearidade é hoje amargamente experimentado por todos nós, isso aliás é fatal em qualquer época e dimensão.
Uma das mais famosas e “festejadas” civilizações que encontrou seu ocaso (também) na visão equivocada desse espectro foi a egípcia, que da “noite para o dia” deixou o brilho do sol e foi para as esteiras sombrias dos gemidos e ranger de dentes, apesar do Nilo continuar no mesmo nível.
Segurança Pública é matéria para ser articulada e discutida em alinhamento com a “pulsação” de cada cidade, notadamente na questão da interatividade urbana na sua mais ampla acepção.
A Teoria das Janelas Quebradas já há muito deixou o campo das conjecturas e se perpetuou na base da realidade: ou cada um cuida da sua janela e também da janela do vizinho, ou logo não teremos mais janela alguma para cuidar.
Fonte: ParanáOnLine

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