Teoria das Janelas Quebradas


A maioria de nós, policiais militares, reconhece que a Rádio Patrulha, a julgar pelas suas atuações, seja hoje a unidade operacional mais qualificada do Estado. O que não desmerece a qualificação das “unidades de área”, ainda mais diante das suas limitações em amplo sentido, pois mesmo com os seus altos e baixos, são exatamente as demais unidades as primeiras responsáveis pala normalidade, passando ao cidadão de bem, cumpridor de seus deveres, uma maior tranquilidade e segurança.
E foi justamente devido às deficiências e limitações das unidades de área que foi pensado o “projeto rádio patrulha”, cuja finalidade era “dar cobertura às unidades de área nas situações críticas”.
Pensando assim, o Comando da PMAL à época, o Coronel Ronaldo dos Santos, não mediu esforços para que o projeto fosse concretizado, ocasião em que enviou diversos oficiais para fazerem cursos com as melhores polícias do Brasil. E assim, em 19 de abril de 2001, por força da Lei nº 6.320, foi (recriada) a Rádio Patrulha (RP), que efetivamente começou as suas atividades como unidade operacional no final do outubro de 2001, com apenas seis viaturas atuando da seguinte forma: três pelo dia e seis pela noite. Algum tempo depois a unidade passou a atuar com 30 (TRINTA) viaturas e trezentos policiais.
Vejam bem: a RP, há dez anos, atuava com trinta viaturas em condições de serviço e um efetivo de 300 policiais. Hoje em dia, a Casa do Pitbul tem um efetivo de 307 policiais (ver BGO nº 177) e tem de se socorrer de viaturas das “unidades de área”, aquelas mesmas unidades cheias de limitações em amplo sentido, e que deveriam receber e não prestar apoio. Além do mais, levando-se em consideração que aproximadamente 10% do efetivo da unidade encontra-se de férias ou licença espacial, quase um quinto dos seus militares encontra-se com problemas de saúde, o que reflete no serviço de segurança ofertado à sociedade, isto é, no combate ao porte ilegal de armas e o tráfico de drogas. Vê-se, com isso, que houve um retrocesso no quantitativo tanto de meios como de recursos humanos para a unidade. Confirmemos, então, alguns dandos:
E as dificuldades não param por aí. A unidade continua com deficiência no que se refere à sua própria segurança, conforme foi relatado na matéria “A RP agoniza”, assim como no que se refere às acomodações de cabos e soldados (clique aqui).
Diante do exposto, temos de concordar com o Comandante Geral da PM, coronel Luciano Silva, quando o mesmo destacou a importância ímpar da unidade de Rádio Patrulha: “Estes policiais desempenham uma excepcional função e estão de parabéns pelos serviços prestados nestes dez anos”, ainda mais diante das condições apresentadas – complemento.
Em contrapartida, não concordamos que haja “grande satisfação” por parte do batalhão, leia-se da tropa daquela orgulhosa unidade, conforme destacou o seu comandante, o TC Jairisson Correia, por ocasião da solenidade de parabenização, pois as perdas do padrão no ambiente de trabalho, associada à mendicância de viaturas velhas de outras unidades, afeta, sobre maneira, a autoestima e o desempenho das guarnições sob seu comando.
Há alguns anos, era salutar ver que havia competição entre as guarnições para ver quem aprendia mais armas de fogo no mês, bem como quem apreendia mais armas numa única ocorrência. Havendo casos de guarnições que em um mesmo serviço chegasse a apreender armas em duas ou três ocorrências distintas. Hoje em dia, conseguir embarcar em uma viatura, mesmo que não se aprenda nem uma faca, já é considerado uma vitória.
E assim, revelando o quanto as nossas unidades são “esquecidas”, lembramos que na data de 22 de setembro é aniversário do 1º BPM, a célula mater da corporação, e que deveria – antes de qualquer outra unidade, não desmerecendo as demais, haja vista que antiguidade é posto – ser reconhecida e parabenizada pelo seu dia, até mesmo por um simples detalhe: o aniversário do BPRr foi e 20 de setembro.
Parabéns, 1º BPM. Vocês também não tem muitos motivos para comemorar, mas nós reconhecemos o que os membros dessa unidade tem feito, mesmo com todas as dificuldades. Infelizmente, caros leitores, enquanto estivermos sendo administrados por pessoas que fingem se preocupar com a causa pública, sendo que na verdade preocupam-se mais com postos, cargos, locupletações, “jogos de futebel e postagens no twitter”, a exemplo do Subcomandante Geral, estaremos fadados a toda contrariedade de sorte.

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