Vídeo mostra PMs exigindo propina para garantir segurança, no Pará

Esquema de corrupção por parte de policiais militares foi desvendado.
20 PMs foram presos durante a execução da operação Catrina.


Imagens obtidas nesta sexta-feira (22) com exclusividade pela TV Liberal, afiliada da Rede Globo em Belém, mostram policiais militares exigindo dinheiro para garantir a segurança de pessoas. Após seis meses de investigação, a operação Catrina prendeu 20 PMs envolvidos com diversos crimes na última quinta (21).
O agente mostrado na imagem é um dos presos na ação. Segundo o Ministério Público, no vídeo, ele espera por um colombiano, que chega com um pacote nas mãos. Os dois entram em um carro preto e vão embora.
As imagens foram feitas em março desse ano e fazem parte do processo que retirou das ruas de Belém policiais militares suspeitos de corrupção. O líder do grupo seria um tenente, que comandava um esquema que exigia dinheiro de estrangeiros que praticavam agiotagem na capital paraense.
As investigações começaram depois que algumas vítimas procuraram a Corregedoria da Polícia Militar para denunciar o esquema. Os PMs foram monitorados por meio de interceptações telefônicas, feitas com a autorização da Justiça. Trinta dias de gravações confirmaram os crimes.
Em um trecho do vídeo, um policial aparece cobrando dinheiro de uma colombiana e fica irritado com a demora para receber o pagamento. “Eu estou aqui já há 20 minutos, que ele falou que ia chegar, estou aqui em São Brás. Eu tenho outras coisas para resolver, sábado ele me disse que ia dar, já não deu. Aí quando pegam vocês, vocês ligam para ajudar vocês. Aí, quando é para dar o dinheiro, aí vocês não querem dar”.
Pescadores que vinham para Belém receber o dinheiro do seguro defeso também eram vítimas dos PMS. “As guarnições abordavam as pessoas e ameaçavam forjar um flagrante, de plantar uma arma irregular, uma quantidade de drogas, caso a pessoa não desse esse dinheiro, que eles sabiam que já estava em mãos da própria vítima”, explicou o promotor da Justiça Militar, Armando Brasil.
Os PMs trabalhavam no 2º Batalhão e, de acordo com as investigações, cometeram oito tipos de crimes, há pelo menos 1 ano, em seis bairros de Belém. A quadrilha também extorquia pequenos comerciantes. “Se a pessoa não pagasse a propina, eles não iam no local atender a ocorrência. Vamos supor que o estabelecimento fosse assaltado, esses PMs que foram presos dificultavam o acesso da viatura ao local. Se você diz não, você fica com aquele receio de algum tipo de retaliação, então as pessoas eram coagidas psicologicamente e era obrigadas a pagar essas propinas”, concluiu Brasil.
Do G1 PA

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